Pesquisa acadêmica desagrada comunidade

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Estudo diz que 71% dos brasileiros de Massachusetts são indocumentados e que muitos não pagam impostos

Um estudo conduzido pelo professor universitário Enrico Marcelli apresentou resultados que desagradaram a comunidade brasileira em Massachusetts, região alvo da pesquisa do acadêmico. Segundo ele, 71% dos brasileiros que vivem naquele estado estão em situação irregular no país e pelo menos metade deles não paga impostos ao Fisco americano. Os dados foram ainda mais negativos para o nosso povo porque o autor do estudo fez uma comparação com outro numeroso grupo de estrangeiros daquela área, os dominicanos: segundo Marcelli, somente 8% deles estão indocumentados e a maioria está em dia com as taxas ao governo.

O levantamento foi apresentado esta semana na Prefeitura de Boston pelo pesquisador, que atualmente leciona na San Diego State University. No entanto, o projeto começou em 2007, quando ele ainda dava aulas na Universidade de Massachusetts. “Acredito que reunimos evidências de temas que jamais haviam sido levados a sério no país”, disse, sem falsa modéstia, Marcelli, admitindo que o material não iria agradar a todos. O estudo abordou ainda questões ligadas à saúde e mercado de trabalho.

A mágoa dos brasileiros diz respeito à forma como a pesquisa foi conduzida pelo professor. Os críticos alegam que ele jamais informou o teor do estudo para os entrevistados e utilizou as respostas para divulgação de um documento que certamente vai chamar a atenção das autoridades locais e até federais. No jornal The Boston Globe, uma das lideranças brasileiras, que preferiu não se identificar, afirmou que a questão do alto número de indocumentados brasileiros em Massachusetts definitivamente não era o aspecto mais importante do estudo, mas foi o mais comentado – e isso poderia gerar uma reação adversa entre os agentes de imigração.

Marcelli calcula em 64 mil o número de brasileiros em Massachusetts, representando a segunda maior comunidade de estrangeiros naquele estado, atrás apenas dos chineses. Não custa lembrar que um outro estudo, desta vez conduzido pelo brasileiro Álvaro Lima, diretor de pesquisas da Prefeitura de Boston e um dos membros do Conselho Provisório de Representantes para a América do Norte na conferência ‘Brasileiros no Mundo’, chegou à conclusão de que há mais de 336 mil conterrâneos nossos naquela região. O trabalho de Álvaro cruzou informações fornecidas pelo Banco de Desenvolvimento Interamericano sobre as remessas de dinheiro para o Brasil, com números do Censo e de estudos conduzidos pelo próprio autor, enquanto que o acadêmico baseou-se apenas no censo e em entrevistas.