Polêmica lei do Arizona foi aprovada graças a lobby de donos de prisões

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Interesse maior, segundo respeitado órgão de imprensa, era financeiro e não estava ligado à segurança do estado

Um dos mais conceituados órgãos de imprensa dos Estados Unidos, a emissora de rádio NPR (National Public Radio), levantou uma hipótese que coloca em dúvida os argumentos usados pelas autoridades do Arizona para defender a promulgação da polêmica lei antiimigrante. Segundo a NPR, a SB 1070 contou com o apoio financeiro dos proprietários de centros de detenção privados, que tinham o interesse em lotar suas celas e, com isso, receber mais verbas federais.

A desconfiança do lobby pela lei é porque os donos destas prisões já estavam investindo em ampliação das instalações bem antes de a legislação ter sido aprovada no Estado, no primeiro semestre deste ano. Ou seja, naquele momento eles já sabiam que certamente teriam uma demanda maior de indocumentados. Além disso, a NPR teve acesso a uma série de documentos referentes à doações de campanha que indicam uma relação entre os donos das prisões e políticos que votaram a favor da lei, na maioria republicanos.

A NPR acrescenta que a maior repressão aos imigrantes favorece – e muito – à empresa Corrections Corporation of America, que administra as prisões privadas. “Trata-se de um mercado bilionário e o dinheiro usado por lobistas para aprovar lei como a do Arizona é apenas a ponta do iceberg”, disse uma das fontes. Em sua defesa, o senador estadual Russell Pearce, republicano que apresentou o projeto de lei, negou que seu objetivo com a medida foi o de enriquecer os donos de prisões, mas seu foco sempre esteve no povo do Arizona e na segurança das fronteiras dos Estados Unidos.

A Lei SB 1070, assinada pela governadora do Arizona, Jan Brewer, criminaliza a imigração ilegal e dá à polícia o poder de parar e interrogar qualquer pessoa “suspeita” de ser indocumentada. Partes da lei foram julgadas inconstitucionais pela Suprema Corte e ativistas disseram que a medida dá margem a abusos e racismo.