Policiais acusados da morte de moradora de favela podem ser soltos

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Ministério Público Militar aceitou o pedido na quarta-feira (19) os três envolvidos na morte de Cláudia Ferreira da Silva podem ser soltos ainda essa semana

ViaturaDa Redação Com g1 – Os policiais acusados de matar a Cláudia Ferreira da Silva, de 38 anos, que trabalhava como auxiliar de serviços gerais, podem ser soltos ainda essa semana. Eles foram presos logo após a morte da brasileira que morava no Morro da Congonha, em Madureira, no Subúrbio do Rio. O caso chamou a atenção da opinião pública no Brasil, e no mundo, depois que as imagens de um cinegrafista amador mostraram que o corpo de Cláudia, que havia levado dois tiros de fuzil, foi levado no porta-malas do carro da polícia, que abriu e arrastou-a por mais de 300 metros.

O envolvimento na morte de Cláudia é apenas mais um caso no curriculum dos subtenentes Rodney Miguel Archanjo e Adir Serrano Machado. Adir Serrano aparece como autor de 13 assassinatos e Rodney Archanjo tem três registros de homicídio, todos decorrentes de intervenção policial. O outro envolvido é o sargento Alex Sandro da Silva Alves.

Na quarta-feira (19), os três prestaram depoimento que durou mais de quatro horas. O Ministério Público Militar aceitou o pedido de liberdade dos três policiais presos, mas a decisão cabe agora à Justiça.

A morte da trabalhadora aconteceu no domingo (16). De acordo com o comandante da operação, o tenente Rodrigo Boaventura, assim que primeira viatura, com cinco policiais, entrou na favela da Congonha eles foram recebidos a tiros e que reagiram contra cerca de 20 bandidos armados com fuzis e pistolas. Cláudia foi atingida por dois tiros de fuzis e uma segunda viatura foi chamada para socorrer a moradora.

O subtenente Rodney Archanjo contou que a rua onde Cláudia estava era estreita e que havia muitas pessoas ao redor da viatura, o que dificultou a abertura das portas laterais. Ela foi colocada no porta- malas para ser levado ao hospital, mas o caminho seu corpo caiu e foi arrastado. Cláudia teria ficado pendurada no para-choque do veículo apenas por um pedaço de roupa.

A família e moradores do morro contestaram a versão da polícia. Thaís Lima, filha de Cláudia, disse que os policais já chegaram atirando e não houve confronto com bandidos. “Foi só virar a esquina e ela deu de frente com eles. Eles `os policiais` deram dois tiros nela, um no peito, que atravessou, e o outro, não sei se foi na cabeça ou no pescoço, que falaram. E caiu no chão. Aí falaram `os policiais` que se assustaram com o copo de café que estava na mão dela. Eles estavam achando que ela era bandida, que ela estava dando café para os bandidos”, contou.

Claudia Ferreira cuidava de 8 crianças: 4 filhos e 4 sobrinhos. A família disse que, ela e o marido, sustentavam a família com o salário total de R$ 1.600.