Política imigratória de Obama tem obtido resultados controversos

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Abrandamento na política de deportações e outras pequenas medidas para suavizar o tratamento a ilegais têm surtido pouco efeito prático ou político, diz estudo

Os recentes esforços do Presidente Obama para abrandar a política de repressão imigratória – que muitos veem como uma forma de atrair eleitores hispânicos – até agora têm produzido resultados duvidosos em ambas as frentes, prática e política, de acordo com uma pesquisa da Universidade de Syracusa e reações dos ativistas a favor da causa imigrante.

Nos últimos meses de 2011, uma decisão administrativa para suspender as deportações de imigrantes sem passado criminal e rever todos os casos pendentes reduziu drasticamente o número de deportados.

O ICE (Immigration and Customs Enforcement) processou apenas 39.331 casos de deportação nos meses de outubro, novembro e dezembro de 2011, contra 58.639 no trimestre anterior. Uma queda de 33%, de acordo com uma análise da Universidade de Syracuse. A Casa Branca anunciou a mudança de política em agosto.

“Os números costumam diminuir durante essa época do ano, mas mesmo levando em conta a queda sazonal, parece ter havido mesmo uma queda no número de deportações. Eram esperados cerca de 10 mil casos a mais que os registrados,” diz o estudo, atribuindo a diminuição, em parte, a mudanças na política governamental.

Ao mesmo, tempo, os pesquisadores encontraram “poucas evidências” de que imigrantes com antecedentes criminais tenham sido deportados em maior proporção que o geral.

“Temos ouvido falar nessa mudança de política `de priorizar a deportação de criminosos`, mas na prática não tem sido notada nenhuma diferença”, disse Frank Sharry, diretor-executivo da America’s Voice, um grupo de defesa aos imigrantes.

O número de deportações bateu recorde no governo Obama, alcançando uma média de 400 mil por ano, de acordo com o Department of Homeland Security. É o dobro da média registrada durante o primeiro mandato do Presidente George Bush, e um número 30% maior que a média no fim do seu mandato.

Obama, que não cumpriu a promessa de resolver a situação dos cerca de 12 milhões de imigrantes ilegais no País, agora afirma que está fazendo tudo o que pode – sem depender do Congresso – para lidar com a situação da forma mais humana e eficiente possível.

“O que pudemos fazer, administrativamente, foi concentrar os esforços na captura de criminosos e na vigilância das fronteiras, em vez de perseguir trabalhadores que estão apenas tentando levar condições de vida melhores para suas famílias,” disse Obama numa entrevista à rede hispânica de TV Univision, na semana passada. “Propusemos também mudar o programa ‘três e dez’, permitindo assim que famílias não sejam separadas enquanto estão em processo para permanecer no País,” completou, referindo-se a um programa que mudou em janeiro as regras de ‘aplicação’ para green cards, permitindo que filhos e esposas ilegais de cidadãos americanos não precisem mais passar por uma espera de 3 a 10 anos, fora do País, para receber o visto.

“Estamos tentando suavizar os efeitos da imigração”, disse o presidente.

Os esforços de Obama podem em última instância ajudá-lo a conquistar os votos hispânicos em novembro, disse Sharry, mas até agora não diminuíram a frustração dos ativistas com o presidente.

“Os eleitores latinos imigrantes sabem que as leis de Alabama e Arizona não partiram dos Democratas. E sabem que o governo de Obama está combatendo essas leis. Eles sabem que os Republicanos impediram a aprovação do DREAM Act. Sabem que Mitt Romney tem falado em programas gigantescos de auto-deportação”, disse ainda Sharry.

“E ainda estão revoltados e desapontados com o governo, porque Obama prometeu mundanças na lei. Não conseguiu, e ainda bateu o recorde de deportações”, concluiu.