Porque estamos apoiando Obama

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Antonio Tozzi

O AcheiUSA pode ser um jornal escrito em português e dirigido para a comunidade brasileira, mas é antes de tudo um jornal americano, uma vez que está sediado no condado de Broward, mais exatamente na cidade de Deerfield Beach, na Flórida.

Com este background, sentimo-nos no dever de endossar a reeleição do presidente Barack Obama na eleição de 6 de novembro de 2012. Logicamente, muitos leitores concordarão com nossa opinião assim como outros discordarão. É a prática da democracia, onde todos têm direito de expressar suas ideias que muitas vezes são diametralmente opostas. Porque impedir alguém de ser manifestar é o caminho mais rápido para a ditadura e o totalitarismo.

E tudo indica que estamos em boa companhia. Os principais jornais dos Estados Unidos declararam apoio a Barack Obama. Jornais como Los Angeles Times, Boston Globe, Chicago Tribune, Washington Post, Denver Post, San Francisco Chronicle, Philadelphia Inquirer, Miami Herald e New York Times, entre outros. No total, foram 34 periódicos, com circulação superior a nove milhões de exemplares diários. Mitt Romney foi endossado por 28 jornais, cujo total de circulação não chega a cinco milhões de exemplares por dia. Entre os veículos de mais destaque, figuram Sun Sentinel e Orlando Sentinel, da Flórida, e o Des Moines Register, de Iowa. Os demais são veículos de pouca expressão nacional.

Podemos fazer nossas as palavras contidas no editorial do New York Times de domingo, 29 de outubro, no qual o mais influente jornal do país cita ponto por ponto porque o presidente merece ser reeleito. Em primeiro lugar, ele enfrentou a maior resistência já vista numa presidência, com os parlamentares republicanos mais preocupados em sabotar todas iniciativas vindas da Casa Branca do que fazer um governo bipartidário para ajudar na recuperação do país. O caso clássico foi a não aprovação de uma reforma imigratória para corrigir as injustiças nesta área.

Mesmo assim, ele conseguiu aprovar a lei do cuidado com a saúde. Ironicamente chamada de Obamacare pelos republicanos, esta lei garante acesso a todas as pessoas ao sistema de saúde público, independente de sua classe social. Os opositores defendem um sistema de voucher no qual os cidadãos têm direito a escolher seus médicos de confiança. Isto seria lindo se todos pudessem pagar um plano de saúde decente, o que é simplesmente inviável. Ou seja, em vez de todos terem um plano de saúde básico como prevê o plano de Obama, vai restar somente a alternativa de superlotar as salas de emergências dos hospitais e declarar falência por falta de condições financeiras para saldar o débito hospitalar.

Sobre a economia apontada por Romney como o calcanhar de Aquiles de Obama -, é preciso fazer uma análise menos precipitada. O presidente pegou o país em uma das piores condições econômicas já vistas, herança do governo Bush. Ele recorreu ao Tesouro Nacional para criar estímulos que garantiram a manutenção de 2,5 milhões de empregos e impediu a quebra de muitas empresas, cujas consequências seriam catastróficas. Ao contrário das acusações dos republicanos, ele incentivou a criação e o crescimento das pequenas empresas.

Nas relações exteriores, Obama praticamente já retirou todos os soldados do Iraque e está preparando a transferência de governo para as autoridades do Afeganistão. Além disto, perseguiu o Al Qaeda e até ordenou a morte de Osama Bin Laden. Também aplicou severas sanções ao Irã e garantiu apoio à existência de Israel. No cômputo geral, conseguiu melhorar a imagem dos EUA no Oriente Médio, região totalmente antiamericana.

No que se refere aos direitos civis, o presidente acabou com a política de fingir que não havia homossexuais nas Forças Armadas dos EUA. Hoje, todos podem assumir sua condição sexual sem ser disciminados. Mesmo não sendo favorável, aprovou a união legal entre pessoas do mesmo sexo e o direito às mulheres de poder decidir o que é melhor para elas. Se quiserem usar anticoncepcionais para evitar gravidez indesejada, clínicas do governo podem fornecer os medicamentos, além de possibilitar que as mulheres façam abortos quando tiverem gravidez que não querem levar ao fim. Isto, aliás, é um assunto puramente pessoal que o governo não deve se meter. Os republicanos que defendem a manutenção da gravidez mesmo em caso de estupro não se prontificam a ajudar as mães solteiras e as famílias necessitadas que não têm como cuidar dos filhos. Na verdade, são os primeiros a criticar estes preguiçosos e freeloaders.

Por fim, a reeleição refletirá na Suprema Corte. Tudo indica que um ou dois juízes devem aposentar-se nos próximos quatro anos e cabe ao presidente indicar seus substitutos. Se for Obama, o mais alto tribunal do país manterá o equilíbrio de forças, mas se for Romney os EUA passarão a ser um país avançado com leis retrógradas. O que seria uma suprema incoerência, desculpem o trocadilho.