Presidente do Senado pede afastamento de 136 diretores

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Sob pressão, Sarney quer enxugar a Casa

A rotina do presidente do Senado, José Sarney, tem sido há um mês, desde que assumiu o cargo, desviar do tiroteio da opinião pública e da oposição. No capítulo mais recente, ele pediu para que todos os 136 diretores, secretários e subsecretários com status de diretor da Casa coloquem seus cargos à disposição, depois que foi pressionado.

“Ter 136 diretores no Senado é uma aberração. Tem prefeitura que funciona com apenas sete secretários, e por que o Senado precisa de tanto diretor? Tem que extinguir um monte. Sarney precisa cortar fundo, é um caminho irreversível”, disse o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM). De fato, a Petrobras, por exemplo, que é a maior empresa brasileira, tem apenas seis diretores. A Vale, que atua em diversos países, tem apenas sete diretores executivos, além de diretores de departamentos. No Senado, há um diretor para cada 19 funcionários ou quase dois diretores para cada senador.

Dois desses diretores já haviam sido demitidos recentemente, porque omitiram patrimônio pessoal em suas declarações de renda. Outros três estão na alça de mira por terem parentes empregados por empresas prestadoras de serviço ao Senado. Mas a divulgação da decisão de afastar de uma vez só todos os diretores foi recebida com surpresa. “Minha única ressalva é que parece que o presidente Sarney está tendo uma reação aos episódios”, disse o líder do PDT, Osmar Dias (PR).

A medida do presidente do Senado faz parte de uma proposta de reestruturação da Casa que será conduzida pela Fundação Getúlio Vargas, e por isso ele negou que seja um reflexo da onda de denúncias que atinge a Casa desde que assumiu o cargo. “Isso já estava previsto dentro das nossas ações”, garantiu.