Processos de foreclosures afetam também inquilinos, mas há solução

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Mesmo pagando aluguel em dia, brasileiro recebe notificação para deixar imóvel imediatamente

A crise imobiliária está afetando não apenas os proprietários de imóveis, mas também inquilinos – e um dos exemplos é o do brasileiro R. F., que pediu à reportagem do AcheiUSA para não ser identificado. Morador de Pompano Beach, ele pagou rigorosamente em dia o aluguel dos últimos 12 meses, mas recebeu esta semana uma notificação de que deve deixar o imóvel em 15 dias. Explica-se: o dono da moradia não vinha honrando o mortgage há quase dois anos e, finalmente, teve seu processo de execução de hipoteca concluído pela instituição financeira. “Não sei o que fazer agora, pois vou receber amigos do Brasil para as festas de fim de ano e o prazo para deixar a casa se esgota justamente na semana do Natal”, lamenta R.

O caso não é o único na comunidade, já que muitos brasileiros optaram por morar em imóveis em processo de foreclosure, devido ao preço de aluguel mais baixo pedido por residências nessas condições. E, por mais absurdo que possa parecer, não há lei que impeça o dono alugar sua propriedade em foreclosure. “Até que o banco efetive a retomada, o proprietário pode fazer o que quiser com o imóvel”, atesta o realtor Marco Fonseca, acrescentando que isso tem gerado uma situação esdrúxula, principalmente em conjuntos residenciais.

Para minizar o problema, ele revela que muitos condomínios estão tomando providências internas, até porque quem não paga o mortgage costuma não honrar os compromissos referentes à taxa condominial. “Muitas convenções exigem que o aluguel, neste caso, seja pago diretamente à administração para cobrir as prestações em atraso”, disse. Ou seja, o inquilino paga primeiro ao conjunto residencial.

Mas para quem mora em unidades independentes, como no caso de R., citado no início da matéria, há uma saída. Para o especialista em mercado imobiliário Joe Souza, qualquer situação pode ser negociada. “No caso deste brasileiro, o melhor é tentar um contato com a instituição financeira ou com o realtor que está servindo de intermediário para buscar uma negociação ou, no mínimo, pedir uma extensão do prazo”, disse Joe, que tem visto isso com frequência no mercado.