Próximos 100 dias serão decisivos para a reforma imigratória nos Estados Unidos

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Ativistas acreditam que futuro dos indocumentados no país será definido neste período

A esperança de uma reforma imigratória nos Estados Unidos está depositada nos próximos 100 dias. Este é o prazo que falta para o início do processo eleitoral e os ativistas acreditam que depois será muito difícil a aprovação de qualquer lei favorável aos indocumentados. Por isso, eles deflagaram uma campanha para despertar a comunidade latina que vive nos Estados Unidos e, principalmente, conscientizar a sociedade da importância de legalização de imigrantes em situação irregular.
Segundo os defensores de direitos humanos, a ‘janela’ entre fevereiro e junho, quando começa o recesso parlamentar de verão, é a única chance de aprovação de um projeto de lei que abra caminho para a cidadania a cerca de 12 milhões de pessoas. Para atingir o objetivo, a Campanha Reforma Imigratória já está veiculando propagandas na televisão e no rádio, a princípio no estado de Nevada e depois em centros com grande presença de latinos. Katherin Vargas, da entidade Reforma por América, acha que o tema precisa voltar às manchetes de jornais para que os parlamentares americanos sintam a pressão.

O comercial é estrelado pelo ator cubano-americano Tony Plana, que trabalha na novela ‘Betty, a Feia’. “O movimento antiimigrante tem nos discriminado, insultado e promovido o ódio contra o nosso povo. Desta vez teremos que lutar, todos nós e nossas famílias”, disse Tony na propaganda. A escolha de Nevada para começar a campanha não foi por acaso: o voto latino no estado será fundamental para os candidatos nas eleições de novembro próximo, inclusive do líder da maioria no Senado, Harry Reid, que busca um novo termo na Câmara Alta.

Moradores da região já receberam mensagens de texto pelo celular sobre os próximos passos da campanha. “Este período antes do recesso parlamentar é crucial. Precisamos mobilizar o maior número de imigrantes”, acrescentou Katherin. No spot de rádio, o locutor lembra que os esforços pela reforma fracassaram há pouco mais de dois anos. “Agora será diferente”, garantem os ativistas. Os indocumentados esperam que sim.

Em que pé está a batalha:

No final do ano passado, o deputado democrata Luis Gutierrez iniciou uma jornada por diversas cidades americanas, reunindo-se em igrejas latinas e comunidades de imigrantes na esperança de desenvolver uma espécie de movimento de direitos civis em prol de uma reforma ampla. O objetivo aprovar no Congresso políticas de imigração que preservem a unidade familiar.

No dia 15 de dezembro, a esperança de mais de doze milhões de indocumentados que vivem na América foi renovada, quando o parlamentar apresentou, na Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, um novo projeto de lei para a reforma da imigração. A proposta, detalhada em 300 páginas, recebeu o nome de ‘Comprehensive Immigration Reform for America’s Security and Prosperity Act of 2009 (CIR ASAP)’ e trata, entre outros assuntos, da abertura de uma via de legalização em até seis anos para os estrangeiros em situação irregular na América.

De acordo com o texto, os indocumentados, porém, poderiam receber imediatamente autorização de trabalho e permissão para sair dos Estados Unidos e voltar ao país. “O objetivo é reunificar famílias de imigrantes através do green card”, esclareceu Gutierrez. Além da regularização do status imigratório, o projeto quer ainda ampliar a possibilidade de vistos para profissionais qualificados e aumentar a segurança nas fronteiras, com o uso da tecnologia.