Quatro traficantes são presos no Caribe por envolvimento na morte de brasileiros

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Eurico Barbosa, de 37 anos, e Silvinha Silva Braga, de 45 anos, morreram durante naufrágio

Eurico Barbosa, de 37 anos, e Silvinha Silva Braga, de 45 anos, morreram durante naufrágio
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De acordo com dados do governo local da Ilha de Saint Marteen divulgados na quinta-feira (11), quatro homens haviam sido presos acusados de envolvimento no naufrágio de um barco com 26 pessoas no dia 1º de julho. No acidente, os brasileiros Eurico Barbosa, de 37 anos, e Silvinha Silva Braga, de 45 anos, morreram e uma terceira pessoa ainda não identificada também faleceu. Outras três estariam desaparecidas, e vinte sobreviveram. Até a quinta-feira (11) os corpos dos brasileiros ainda não haviam sido trasladados de volta ao Brasil.

A polícia caribenha não divulgou o nome dos acusados, presos entre o dia 5 e 10 de julho, apenas informou que teria o capitão do barco em custódia e outros três. Um dos presos foi solto dias depois da prisão porque sua participação foi considerada mínima, o restante foi transferido para um presídio para a ilha vizinha, Guadalupe. Além de tráfico humano, que pode render dez anos de prisão para cada integrante da quadrilha, os presos são acusados de roubar as vítimas e abandonar o barco não prestando socorro logo após o naufrágio.

Os sobreviventes foram levados para hospitais na ilha e depois de liberados prestaram depoimento à polícia quando disseram que foram ameaçados de morte caso não entrassem no barco. Eles disseram que o mar estaria agitado naquela noite e muitos pensaram em desistir, mas a quadrilha ameaçou, roubou as malas, deixando-os em roupas de praia e obrigaram todos a entrar.

Acidente

Os motivos do acidente ainda não estão esclarecidos. A primeira versão dava conta que o mau tempo havia provocado o naufrágio do barco que estava superlotado (a capacidade máxima seria de 20 pessoas), mas recentemente a imprenssa caribenha divulgou que o motor do barco havia quebrado quando o grupo se afastava de ilha Saint Marteen, que é dividade entre a parte holandesa e francesa, entrando no Canal Anguilla.

O destino do grupo, possivelmente formado só por brasileiros, era chegar aos Estados Unidos. Mas até chegar ao destino o grupo deveria passar por outras ilhas no Caribe, entre elas as Ilhas Virgens americanas, Bahamas e finalmente alguma praia na costa da Flórida.
O goiano Eurico Barbosa, de 37 anos, deixou a esposa e uma filha em Goiás há quinze dias para fazer a aventura. Ele teria se comunicado pela última vez com a família na sexta-feira (28) e disse que estava indo para os EUA. Eurico já havia morado no país de 1998 a 2008, quando trabalhou na construção civil. Da primeira vez, ele entrou ilegalmente por terra, pelo México, mas dessa vez, decidiu ir pelo mar.
Silvinha Silva Braga, de 45 anos, segunda vítima do naufrágio viajava com o marido, Adilson Gonçalves de Oliveira, que não se feriu. Ele contatou a família na cidade de Alto Rio Novo (ES) e disse que ainda tentou salvar a esposa, mas como ela não sabia nadar acabou morrendo. O casal também já havia morado nos Estados Unidos e planejava voltar, ficar três anos e juntar algum dinheiro e melhorar as condições de vida da família.

Os corpos de Eurico e Silvinha já foram liberados pelas autoridades da ilha, mas as famílias não têm condições financeiras de trasladá-los ao Brasil. O governo estadual de Goiás só paga traslado de pessoas que morreram fora do país em caso de cremação, a família de Eurico não aceitou a proposta e por isso foi oferecido o pagamento de parte do custo total do traslado. Por enquanto nada foi ouvido do governo do Espírito Santo. O governo federal teria enviado um representante consular para tratar dos trâmites legais de liberação e envio dos corpos, mas não há informações de que o governo vai custear o transporte deles ao Brasil.