Que saudades de Mário Lago

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Jussara Penna

Pela primeira vez em São Paulo, na 37ª Mostra Internacional, que acontece de 18 a 31 de outubro, será exibido o documentário Mário Lago, dirigido por Marco Abujamra e Markão Oliveira. A narrativa do filme é feita pelo próprio Mário Lago, que nos leva para um passeio sobre sua vida, por meio de entrevistas, composições e frases que continuam acompanhando gerações, sem abrir mão da lucidez e do carisma típicos de um exímio carioca. 

Formado em Direito pela Universidade de Brasil, Mário exerceu por pouco tempo sua profissão. Logo envolveu-se no teatro de revista escrevendo, compondo e atuando. Fortemente, influenciado pelo Partido Comunista Brasileiro, foi preso sete vezes por motivos políticos e um de seus companheiros de prisão foi Pedro, detido na ditadura militar e acusado por engano de comunista. Pedro era uma pessoa humilde e muito jovem na época, que entrou em profundo desespero diante da situação e no documentário ele narra como “Seu Mário” o acolheu do inicio ao fim. 

No filme, Mário Lago conta sobre esta época que estava em uma situação econômica difícil, sem trabalho na “lista negra” da ditadura e que Dercy Gonçalves quando soube o chamou para participar de um espetáculo.

“O melhor cachê é para o Mário”, recomendou Dercy. Mas, Mário achou esquisito o “estilo de teatro” de Dercy, e foi conversar com a atriz que rapidamente rebateu “Mário, o mais importante é o leite das crianças”. O documentário ilustra a história com cena rara dos dois no palco.

Mário foi casado com Zeli, filha de um militante politico, e com ela teve 5 filhos, entre eles, Mário Lago Filho, que o acompanhou durante sua trajetória artística.

Para aqueles que não se lembram, Mário Lago foi autor junto com Ataulfo Alves de sambas populares como “Ai, que saudades da Amélia” e “Atire a primeira pedra”.

Durante os 96 minutos, o documentário resgata imagens de arquivo raras, como Andrews Sisters cantando “Aurora” com Abbott e Costello no filme “Hold That Ghost “ de 1941,  e também alguns depoimentos como o de Lima Duarte. Nele o ator conta o início da amizade dos dois na Rádio Tupi e os tempos de boêmia, fechando com uma citação que Mário Lago fez sobre Lima, que, segundo ele, foi a mais linda homenagem que recebeu em sua vida. 


Jussara Penna é carioca, pesquisadora e jornalista, formada pela PUC-Rio. Especializou-se em Gerontologia Social na UERJ/UNATI. Criou a primeira revista carioca Rio Cidadão Senior e o primeiro site no Brasil para a Terceira idade: www.idademaior.com.br. Atualmente mora na Califórnia.