Reforma da imigração deverá ser debatida no outono

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Cecília Muñoz (foto), assessora da Casa Branca, acrescenta que Obama se reunirá em breve com ativistas e legisladores dos dois partidos para traçar estratégias

Mesmo admitindo que a recessão pode tornar a batalha política no Congresso mais difícil, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, vai começar a tratar da mudança do sistema de imigração este ano – incluindo neste pacote a possibilidade de legalização de indocumentados. Pelo menos foi isso que garantiu uma das principais assessoras da Casa Branca, Cecilia Muñoz, ao jornal The New York Times, que publica na edição de hoje (quinta-feira) uma matéria sobre o tema.
O esforço de Obama para que o tema entre logo em pauta, admite a assessora, deve provocar debates acalorados, não apenas entre parlamentares, mas também na sociedade em geral. “É um assunto que divide opiniões, mas as regras sobre imigração devem mudar para que tenhamos um sistema organizado”, disse ela, que é assistente de Obama e diretora de assuntos intergovernmentais da Casa Branca.
Obama deve se pronunciar sobre o assunto de forma mais específica no mês de maio e pretende aproveitar o verão para trabalhar com legisladores, ativistas e especialistas dos dois partidos para discutir a possibilidade de apresentar um projeto já no próximo outono – entre setembro e dezembro. Alguns dos representantes do governo afirmaram que o tema imigração não terá prioridade sobre outras bandeiras importantes do presidente, como o sistema de saúde e propostas de fontes de energia alternativa, mas o cronograma está de acordo com as promessas feitas por Obama a grupos de imigrantes de origem hispânica que uma lei de imigração ampla e justa, que atenda aos anseios de mais de 12 milhões de indocumentados, seria apresentada ainda no primeiro ano de mandato. “Ele quer iniciar o debate ainda este ano”, garantiu Muñoz.
No entanto, a crise econômica no país acabou fazendo com que muitos opositores à idéia de uma reforma na lei de imigração se manifestassem de forma incisiva, sob o argumento de que há muitas outras áreas a serem priorizadas num momento de recessão. Os oponentes, essencialmente republicanos, garantem que vão mobilizar a população contra qualquer esforço de legalização de indocumentados num momento em que muitos americanos estão sem emprego. “Se esse assunto for tratado agora, será uma explosão”, calcula Roy Beck, diretor do NumbersUSA, grupo que é contrário à reforma.
Até mesmo o vice-presidente americano, Joe Biden, duvidou que a proposta seja analisada pelo Congresso em época de desaquecimento da economia e alto índice de desemprego. “Fica complicado pedir a um parlamentar que lute pela legalização de 12 milhões de imigrantes e pelo fim das deportações, enquanto a economia dá sinais de fraqueza, com pessoas perdendo o emprego e suas casas”, disse Biden, em uma conferência com líderes da América Central, concordando que o momento não é o ideal para se apresentar no Congresso um projeto de lei que englobe caminhos para a regularização dos indocumentados.
Não é isso que pensam, porém, vários parlamentares democratas e assessores de Obama. Eles têm se reunido com frequência em busca de um consenso sobre a melhor estratégia e o momento para se apresentar a iniciativa no Congresso Nacional. Obama reconhece que este é um “campo minado”. “Trata-se de um assunto sensível e que gera controvérsia”, disse o presidente, acrescentando que o país precisa encontrar um mecanismo de “tirar das sombras os indocumentados que vivem há muito tempo na América”.
Para tanto, a Casa Branca conta com o apoio popular e com a recuperação da economia para alcançar seu objetivo. Por isso, também, alguns parlamentares já estão se mobilizando: o deputado Luis Gutierrez (democrata de Illinois), por exemplo, está percorrendo o país desde dezembro com outros líderes comunitários para defender o direito dos imigrantes. “Nunca será uma hora ruim para tratar do tema da legalização dos indocumentados. Famílias estão sendo divididas e precisam de ajuda agora”, disse o Gutierrez, que já levou sua bandeira para cidades como Atlanta, San Francisco e Miami.