Reforma da Saúde está próxima e abre caminho para o debate imigratório

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Democratas mostram força no Senado e texto da lei será ajustado com o projeto aprovado na Câmara dos EUA

A semana será decisiva para a aprovação das mudanças no sistema de saúde nos Estados Unidos. Isso porque o Senado norte-americano deu um passo decisivo para debater a questão no Congresso, depois de aprovar por 60 votos uma moção de procedimento que abre a via para a votação definitiva ainda antes do Natal. Outros 40 senadores foram contra a medida.

A votação aconteceu durante a madrugada de segunda-feira e o resultado final só foi conhecido por volta de 1 am, em Washington DC. Espera-se que o Senado se pronuncie favoravelmente ao projeto do presidente Barack Obama na véspera de Natal, mas a margem de votos positivos já antecipa o sucesso da iniciativa. Os votos pela moção foram dos 58 legisladores democratas e dos dois parlamentares independentes, que costumam votar com a maioria.

“O acesso à saúde no país deve ser um direito e não um privilégio”, argumentou o senador Christopher Dodd, do estado de Connecticut, num dos discursos mais inflamados do debate. No entanto, para o senador Lamar Alexander, republicano do Tennessee, os democratas agendaram a sessão da Câmara Alta para a madrugada e pretendem aprovar a lei na véspera de Natal justamente para esconder da sociedade o verdadeiro teor da proposta. “A população vai responder a essa manobra nas eleições de 2010”, disse o parlamentar.

Assim que for aprovado no Senado, o texto será ajustado ao conteúdo da proposta da Câmara de Representantes e especialistas apontam que há diferenças importantes, como a opção de um plano de saúde gerido pelo governo federal. “Não vamos simplesmente aceitar a proposta do Senado”, antecipou a deputada Nancy Pelosi, presidente da Câmara.

A mudança na área da saúde é uma das prioridades do governo Obama. Segundo ele, o objetivo é beneficiar 30 milhões de pessoas que não possuem plano. A questão interessa de perto também a mais de 12 milhões de imigrantes: é consenso que a reforma da imigração só será debatida no Congresso após a aprovação da lei da saúde. “Após a definição sobre o tema número um da lista de prioridades da Casa Branca, que é a saúde, será a hora e a vez de resolver a situação dos imigrantes que vivem à sombra da sociedade”, disse o deputado democrata Luis Gutierrez, que em dezembro apresentou um projeto de lei para regularizar os indocumentados.