Reforma imigratória está amadurecendo

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Apenas 18 meses após ser rejeitado, projeto deverá ser apresentado novamente, desta vez em terreno mais fértil

Quando a reforma imigratória chegou para votação no Congresso Nacional, em meados de 2007, a enxurrada de telefonemas e e-mails para os parlamentares foi tão intensa que chegou a interromper os sistemas naquelas casas. O grupo –  pequeno, mas barulhento – de opositores às medidas de apoio aos indocumentados conseguiu se organizar de tal forma que a pressão foi muito grande para os congressistas.

Os autores da iniciativa de um projeto bipartidário, os senadores John McCain (republicano) e Ted Kennedy e Harry Reid (democratas), gastaram meses para atingir um consenso, inclusive em reuniões intermináveis com os assessores do então presidente George W. Bush, mas a furiosa opsição à reforma e ao que chamaram de anistia foi muito severa. Resultado: uma pequena maioria de senadores, na maioria republicanos, mas com democratas entre eles, rejeitou analisar a proposta de reforçar a segurança na fronteira e criar uma alternativa viável para a legalizaçãod e mais de 12 milhões de pessoas.

Cerca de 18 meses mais tarde, os parlamentares pró-imigrantes se preparam para tentar novamente. Este grupo está analisando a forma de conduzir a matéria em épocas de crise econômica, mas já há uma certa pressão para que o presidente Barack Obama realmente cumpra a promessa de atacar o problema ainda no primeiro ano de mandato. “Não há uma época perfeita para lidar com a questão, mas isso terá de ser feito em algum momento. O quanto antes, melhor”, disse Tamar Jacoby, presidente da ImmigrationWorks USA , uma entidade nacional que luta pela reforma imigratória.

Com isso, o que parecia politicamente impossível, já não está tão distante agora. Se um projeto de lei foi apresentado no próximo ano, será a primeira vez desde 1965 que a matéria estará em pauta com um Congresso sem maioria republicana. Os que lutam pela reforma terão então a combinação perfeita: um presidente popular ao seu lado, um Congresso de maioria democrata e fortes defensores. Harry Reid, o senador democrata e líder da maioria, deverá ser reeleito no ano que vem, por um estado (Nevada) que tem 25% da população de origem latina. O mesmo acontece com o senador John McCain, que sempre apoiou a reforma.

“Apesar do trauma na última vez que o tema foi apresentado no Congresso, parece que estes combatentes já estão preparados para enfrentar nova batalha. E desta vez para vencer”, acredita Angela Kelley, diretora de imigração de uma entidade jurídica em Washington DC. Segundo ela, pesquisas indicam que 70% dos eleitores americanos apoiam alguma forma de programa de legalização para os indocumentados, desde que sejam pagas multas e saibam se comunicar em inglês.

A situação, porém, ainda carece de mais debate, pois as alas conservadoras dos dois partidos ainda refutam a idéia de uma anistia diante de uma crise econômica. Michael Steele, que acabou de ser eleito para coordenar os trabalhos no Comitê Nacional Republicano, insiste que o partido não está disposto a conceder a tal anistia.