Regra republicana estanca a reforma imigratória na Câmara de Representantes

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Outra exigência do plano do Grupo dos Sete: indocumentados terão de sair dos EUA para esperar um visto

Dois parlamentares foram ao programa Al Punto da Univision e divulgaram um cenário complexo da reforma imigratória. Embora um disse estar “cuidadosamente otimista”, o outro reiterou que enquanto for mantida uma regra imposta pelo presidente do Congresso, os 11 milhões de imigrantes indocumentados continuarão vivendo nas sombras.

A republicana Ileana Ros-Lehtinen e o democrata Joe García, ambos da Flórida, falaram com o jornalista Jorge Ramos e reforçaram seus apoios a uma reforma ampla que legalize a maioria dos 11 milhões de indocumentados nos Estados Unidos. Mas contaram que o futuro imediato é incerto e que o debate se estendeu muito além do tempo previsto.

“Estou cuidadosamente otimista” com os resultados, disse Ros-Lehtinen. Ela explicou que há muitos democratas e republicanos a favor de uma iniciativa como a aprovada no final de junho pelo Senado, e que também há extremistas que não querem passar “nada ou querem passar muito e isto não podemos fazer”.

“Mas eu creio que haverá o consentimento para arrumar este sistema que não está funcionando, e ajudar tantas pessoas” a regularizar suas permanências “e obter um caminho para a cidadania. Acredito que este é o desejo bipartidário e vamos a ver se podemos realizar”, acrescentou.

O cenário na Câmara é diferente aos bons desejos de Ros-Lehtinen. No final de junho, o presidente do Congresso, John Boehner (republicano de Iowa), disse que só levará ao plenário uma iniciativa que conte com o respaldo da maioria da maioria; ou seja, com o voto de 118 congressistas de seu partido.

García disse à NoticiasUnivision.com esta semana que só há 60 ou 70 votos republicanos. E em Al Punto reiterou que a maioria imposta por Boehner não existe neste momento.

Acrescentou, no entanto, que há um “suficiente número de republicanos que, com a significativa maioria democrata, podemos passar uma reforma imigratória que tenha sentido, que ponha nosso país a funcionar, que ajude a economia, ajude estas pessoas que estão conosco”.
Para aprovar a reforma no plenário da Câmara são necessários 218 votos. “Infelizmente isto depende do presidente” do Congresso, disse García. “Mas o preocupante é esta regra da maioria da maioria”. Se não tivermos 50 por cento dos republicaos, segundo o presidente da Câmara, não chega ao plenário”.

Regra firme

Sobre o que foi aprovado até agora na Câmara de Representantes, García citou as votações realizadas no Comitê Judiciário do qual ele integra.

Em junho, esta instância votou a favor de quatro medidas anti-imigrantes, entre elas, uma que criminaliza a estadia indocumentada (por ora, uma falta de caráter civil) e outra que anula a Deferred Action. “O que aprovamos até agora não é bom. Eu lamento, e estou no comitê judiciário, que o que passamos agora são leis que tornam os indocumentados criminais federais e outras coisas, mas não encontramos, não votaram a favor de um caminho para a frente”, destacou García.

Ros-Lehtinen explicou que a regra da maioria da maioria assinalada por Boehner em junho “vem sendo aplicada a todos os projetos de leis” e que “se não tiver a maioria republicana o tema não vai ao plenário”.

A batalha final

Sobre o futuro da reforma imigratória no Congresso, Ros-Lehtinen antecipou que “o que queremos é passar um projeto de lei, qualquer projeto de lei na Câmara de Representantes, para depois estar no Comitê de Conferência com o Senado, e aí poder passar um projeto que possamos adotar (ser aceito por ambos partidos nas duas câmaras para enviá-lo para a assinatura do presidente Obama). Será difícil, não digo que será fácil. Não foi fácil no Senado. Mas as normas e regras da Câmara são diferentes” e temos que fazê-lo “de uma maneira bipartidária”.

García acrescentou que o preocupante é que tudo o que for aprovado até o momento na Câmara “tem sido restritivo, anti-imigrante”.
Explicou que uma das medidas contidas no plano do Grupo dos Sete imporá “um imposto de 10 por cento para todo o salário que ganham, e têm de regressar ao seu país depois de assumir-se como violador da lei para depois esperar um visto. São medidas restritivas”.
“O que passou na Câmara não há maneira de ser levado à conferência”, ressalvou García.