Histórico

Relatório do 11/9 vira história em quadrinhos

O primeiro resultado foi um livro de 568 páginas lançado em 22 de julho de 2004

Quando a Comissão Nacional de Ataques Terroristas nos Estados Unidos, também conhecida como 9/11 Comission, foi criada por lei do Congresso norte-americano, no fim de 2002, seu objetivo era “apurar todos os dados disponíveis” sobre o ataque daquele dia, que completa cinco anos no mês que vem, e colocá-los à disposição do público, de maneira “simples e objetiva”.

O primeiro resultado foi um livro de 568 páginas, lançado em 22 de julho de 2004, que logo entrou para a lista dos best-sellers americanos.

Nele, o republicano Thomas H. Kean, ex-governador de Nova Jersey, e o democrata conservador Lee H. Hamilton, presidente do Woodrow Wilson International Center, alinhavam as conclusões da comissão bipartidária, em que não faltam críticas à desorganização do governo federal na reação inicial ao ataque.

As críticas estão também na versão para os quadrinhos, reduzida para 128 páginas.

Em uma passagem, o livreto relembra que o presidente e principais assessores só foram informados do que acontecia pela CNN. Em outra, na reunião de emergência conduzida pelo vice-presidente, Dick Cheney, perto das 10h daquele dia, faltam membros de agências federais cuja ausência se provaria letal nas próximas horas.

Nova geração

O objetivo do lançamento, dizem Kean e Hamilton no prefácio, é “chamar a atenção do trabalho da Comissão para uma nova geração de leitores”.

Não é a primeira vez que entidades governamentais usam quadrinhos para atingir diferentes públicos nem é a primeira “graphic novel” sobre o assunto (Art Spiegelman, Prêmio Pulitzer de 1992 por “Maus”, lançou em 2004 “In the Shadows of No Towers”).

Mas é o primeiro relatório federal norte-americano a ganhar esse tratamento.

A idéia inicial foi de dois veteranos do mundo da HQ, Colón e Jacobson, ambos na casa dos 70, com passagens pelas duas principais editoras do gênero, Marvel e DC, e criadores ou co-criadores de clássicos ingênuos desse universo, como os personagens Riquinho e o fantasma Gasparzinho.

“Não é uma dramatização”, disse Jacobson a jornalistas na semana passada, quando visitou o Ground Zero em Nova York pela primeira vez desde o ataque. “É uma história de investigação. É jornalismo gráfico”, diz, fazendo trocadilho com a expressão “graphic novel”, romance gráfico, utilizada pelo mercado para quadrinhos de temática séria e mais recursos gráficos.

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