Repórter do “Times” relata acidente com Boeing da Gol

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Americano que estava no jato de fabricação da Embraer conta como foram os minutos seguintes ao choque e lamenta os passageiros do Boeing 737 da Gol

Joe Sharkey, americano que estava no jato Legacy que supostamente chocou-se com o Boeing 737 da Gol, contou em um artigo publicado nesta terça-feira no jornal americano The New York Times a experiência pela qual passou na última sexta-feira, 29.

“Eu senti uma terrível instabilidade e ouvi um disparo alto, seguido de um silêncio, salvo o barulho dos motores”, afirmou Sharkey. Segundo ele, as três palavras as quais ele nunca vai esquecer são “Nós fomos atingidos”, pronunciadas por Henry Yandle, que estava próximo à cabine do Legacy 600, de fabricação da Embraer.

“Atingidos? Pelo que?”, ele conta ter questionado os outros passageiros do vôo. Sharkey relatou que o céu estava limpo e Sol baixo no céu, além de ver toda a floresta no horizonte.

No texto publicado no NYT, Sharkey afirma que os passageiros que estavam no Legacy não perceberam a gravidade do acidente, apenas ouviram um barulho forte e não entraram em pânico. Segundo ele, os pilotos da aeronave acionaram as controles e mapas para localizarem o aeroporto mais próximo.

“Então começaram os trinta minutos mais assustadores da minha vida. Só depois eu fiquei sabendo que ninguém poderia sobreviver de um choque aéreo”, disse Sharkey no texto divulgado pelo NYT. “Eu tenho sorte de estar vivo, e só depois saber que os 155 passageiros do Boeing não tiveram a mesma sorte”.

O americano conta ainda que durante a busca por um local para aterrissarem, os passageiros começaram a ficar nervosos e a escrever cartas para seus familiares.

Sharkey contribui há sete anos na coluna “On the Road” no jornal americano, uma seção semanal que fala de viagens, mas estava no jato para fazer uma matéria como freelancer para uma revista de negócios de viagem.

Entre os passageiros, estavam executivos da Embraer e da companhia chamada ExcelAire, que tinha acabado de comprar o Legacy 600 da fabricante brasileira, segundo Sharkey. “David Rimmer, vice-presidente sênior da empresa, convidou-me para voltar para casa em seu novo jato”, contou ele.

“E estávamos tendo uma boa viagem. Minutos depois de sermos atingidos, fui à cabine para conversar com os pilotos, que disseram que o jato estava voando perfeitamente. Eu vi o marcador de altitude, que apontava 37 mil pés”, relatou Sharkey.

O americano comentou ainda que apenas por volta das 19h30 da noite de sexta-feira, os passageiros foram informados sobre o desaparecimento do Boeing da Gol no mesmo local onde eles tinham sentido o choque. “Até aquele momento estávamos bebendo cerveja e fazendo piadas sobre o susto que passamos”, contou Sharkey.