Republicanos e democratas invertem papéis no Arizona

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Um dos principais temas da eleição de novembro nos Estados Unidos, o a da imigração, causou uma situação inusitada no Estado do Arizona, região sul do país.

No principal tema da campanha para governador no estado, a imigração, a plataforma que mais se aproxima da do presidente George W. Bush, é a da candidata democrata, partido que faz oposição ao presidente.

A atual governadora, a democrata Janet Napolitano, concorre à reeleição com um programa cuja política de imigração é semelhante à de Bush.

Seu rival, Len Munsil, um ativista conservador do Partido Republicano – o mesmo de Bush – é contra a política de imigração defendida pelo presidente e por um dos principais nomes de seu partido, o senador pelo Arizona, John McCain, cotado para ser o candidato presidencial republicano em 2008.

Bush defende a concessão de um visto de trabalho temporário, que daria a imigrantes o direito a trabalhar legalmente nos Estados Unidos por um período, mas não permite a conversão do visto em naturalização ou cidadania.

A governadora Napolitano é a favor do programa defendido por Bush e concorda com o presidente que o programa atende tanto aos imigrantes ilegais presentes nos Estados Unidos – estimados em cerca de 12 milhões de pessoas – como os interesses dos empregadores, que dependem da mão de obra estrangeira.

Muito flexível

Munsil considera que a proposta de Bush é demasiadamente flexível e que ela concede um indulto inaceitável a imigrantes ilegais. O candidato quer aumentar a presença de soldados da Guarda Nacional na fronteira do Estado com o México.

Bush e a atual governadora do Arizona compartilham da visão de que a mudança do status dado aos imigrantes minimizaria a necessidade de investir em reforços na segurança na fronteira. Os dois também concordam que o Congresso deve formular um amplo programa de reforma imigratória.

O republicano Munsil quer investir US$ 515 milhões em operações de segurança na fronteira. Napolitano diz que tal cifra seria demasiadamente onerosa para o Estado e quer que investimentos nesta área partam do governo federal. Munsil acredita que o Estado deve tomar medidas imediatas para conter os que tentam cruzar ilegalmente a divisa com os Estados Unidos, em vez de esperar ações do governo ou do Congresso.

Barreira

A governadora é contrária ao projeto de construir uma barreira de 1,125 quilômetros na fronteira entre os Estados Unidos e o México, apesar de seu Estado ser o principal destino de mexicanos que tentam entrar ilegalmente nos Estados Unidos.

No ano passado, 52% das detenções de 1,1 milhão de imigrantes que tentaram cruzar a fronteira foram realizadas no Arizona. Em 2005, agentes federais chegaram a prender uma média de 1.600 imigrantes ilegais por dia no Estado.

A governadora e o presidente divergem na questão da defesa da barreira, um dos raros tópicos relativos à imigração no qual Munsil e Bush têm posturas semelhantes. No início deste mês, Bush promulgou – justamente em uma cidade do Arizona, Scottsdale, no sudoeste do Estado – o projeto de lei que permite a construção da barreira entre os dois países.

Antes, o Senado havia aprovado a construção do muro. O projeto contou com aprovação de boa parte dos republicanos e até de destacados democratas, como a senadora Hillary Rodham Clinton.

Janet Napolitano diz que a barreira está fadada ao fracasso, pois “na hora em que se construir um muro de 15 metros, alguém irá construir uma escada de 15,5 metros”.

Histórico

A governadora do Arizona conta com uma aprovação de 61% no Estado e, de acordo com uma recente pesquisa do Instituto Zogby, lidera a preferência dos eleitores do Estado por 51,3%, contra 41,1% de Munsil.

Munsil foi eleito o candidato republicano após ter obtido uma expressiva vitória nas eleições primárias do Partido Republicano no Arizona. Seu rival foi Don Goldwater, sobrinho de Barry Goldwater, ex-candidato republicano à presidência em 1964, conhecido por seu ferrenho anticomunismo e por uma plataforma contrária ao movimento dos direitos civis da década de 60.

Em uma ironia do destino, Don Goldwater se apresentou como o moderado na campanha, criticando Munsil por suas ligações com facções conservadoras do Arizona.

É justamente graças aos republicanos conservadores que Munsil acredita que será capaz de passar à frente de Napolitano. O candidato diz estar apostando em movimentos de base de seu partido que defendem ideais celebrizados pelo ex-presidente Ronald Reagan, como a defesa de valores tradicionais, familiares e religiosos.

Além de suas propostas contra a imigração ilegal, Munsil tem entre suas bandeiras o combate à proposta de legalizar o casamento entre gays no Estado, tema que será submetido a referendo no dia da votação de 7 de novembro, que vai eleger governadores e renovar parte do Senado e toda a Câmara dos Representantes.

O candidato acredita que sua plataforma poderá inflamar sua base de apoio e provocar um forte comparecimento republicano às urnas no dia 7 de novembro.