Republicanos fazem promessas impossíveis

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A noção de selar a fronteira e garantir que imigrantes sem papéis e drogas não cruzarão é delírio

Mitt Romney e Newt Gingrich prometeram completar um fosso de 3.138 quilômetros (1.950 milhas). Michele Bachman quer um muro duplo. Ron Paul pretende garantir a segurança da fronteira por qualquer meio, mas sem um fosso, enquanto Rick Perry afirma ser possível criar em um ano um sistema sem muros que ofereça uma boa vigilância.

Garantir a segurança da fronteira é um slogan bonito, mas não passa disto, sustentou Ted Galen Carpenter, pesquisador do Cato Institute.
Para ficar perto deste objetivo é preciso tomar medidas que tornariam impossível um intercâmbio comercial legal com o México. Este é um preço muito alto por algo que de todas as maneiras continuaria sendo um sistema poroso.

Perry, o governador que mais tempo exerceu o cargo no Texas um estado que representa 65% da fronteira americana com o México sabe disto. O que ele está propondo, na verdade, esclarece sua porta-voz Catherine Frazier, é conseguir um controle operacional da fronteira, ou seja, dos setores nos quais a Patrulha de Fronteiras disse que pode detectar, responder e interceptar atividades ilegais.

A Patrulha de Fronteiras afirma exercer controle operacional sobre 1.400 quilômetros (873 milhas), ou 44% da fronteira. A secretária de Segurança Interna, Janet Napolitano, assegura que a fronteira hoje está melhor do que nunca.

Entretanto, estes dados indicam que não há controle sobre mais da metade da fronteira. E para se chegar ao que foi conseguido aumentou-se a quantidade de agentes a um nível sem precedente. Hoje há 18.152, comparado com os 9.500 de 2004. O Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE), também tem quantidades recordes de agentes na fronteira, na qual estão sendo usados cinco equipamentos não tripulados que sobrevoam a região em busca de atividades ilegais. Nas próximas semanas, um sexto equipamento entrará em operação.

Muro construído

Um muro foi construído ao longo de 1.046 quilômetros (650 milhas) e no ano passado foram despachados 1.200 efetivos da Guarda Nacional para Texas, Califórnia, Arizona e New México, que continuarão ali até o final deste ano.

Fazendo campanha em Iowa na semana passada, Gingrich se comprometeu a construir um muro ao longo de toda a fronteira para 2013. Com isto tratou de neutralizar as reações negativas à sua afirmação anterior de que deveria ser regularizada a situação dos estrangeiros sem papéis que vivem há muito tempo no país.

Perry sempre se opôs ao fosso, dizendo que levaria entre 10 e 15 anos para ser construído, custaria 30 bilhões de dólares e não funcionaria. Em seu lugar, quer inundar a fronteira com mais efetivos da Guarda Nacional até que a Patrulha de Fronteiras tenha a quantidade adequada de pessoal. Também propõe construir muros estratégicos em zonas de muito tráfego e aproveitar melhor a vigilância aérea. Perry assegura que seu plano pode estar em pleno vigor a partir de janeiro de 2014.

Romney, por seu lado, coincide com Perry ser impossível falar de uma reforma das leis de imigração sem primeiro não garantir a fronteira.
Em alguns pontos, foram feitos grandes progressos. O Centro Hispânico Pew disse que a quantidade de estrangeiros sem papéis chegou ao seu auge de 12 milhões em 2007, que em 2009 reduziu-se para 11 milhões e a partir daí vem mantendo-se estável.
O deputado Michael McCaul, republicano do Texas que preside a subcomissão de Segurança Nacional da Câmara Baixa, disse temer que os cartéis se aliem com terroristas.

A fronteira não é segura, afirmou McCaul. Creio que todo aquele que vive lá pode confirmar isto. Os funcionários dos serviços de inteligência desconhecem qualquer caso de um terrorista ter cruzado a fronteira sul ilegalmente para tramar contra os EUA.

Carpenter, que tem escrito bastante sobre a crescente brutalidade dos cartéis mexicanos, disse que as propostas dos candidatos à presidência nada mais são do que defensivas. Se não assumir uma posição firme, e se expuser dirão ser pusilânime em relação à imigração ilegal e às drogas, expressou.

Michael Lytle, especialista em segurança de fronteira e antiterrorismo, afirmou ser difícil conceber uma fronteira totalmente segura, uma vez que o deserto do Arizona representa desafios muito diferentes aos dos milhões de caminhões de carga que entram por Laredo, Texas, ou aos dos pedestres que cruzam a pé de Tijuana para San Diego. A procura por terroristas, por outro lado, é algo bem diferente da procura de imigrantes que tentam entrar ilegalmente ou da luta contra os traficantes de drogas.

Lytle, professor adjunto da Universidade do Texas com sede em Brownsville, opina que a mobilização de 15.000 efetivos da Guarda Nacional pode ter um impacto, mas seria difícil conseguir a verba por causa dos cortes orçamentários do Departamento de Defesa.
“Selaria a fronteira o envio de mais tropas? Provavelmente não, disse Lytle. E, mesmo se isto for conseguido, por quanto tempo é possível manter este nível de mobilização?

Como se vê, os republicanos ficam insistindo em soluções caras e mirabolantes em vez de se concentrar em resolver a questão doméstica.