Histórico

Republicanos já culpam Obama pelo fracasso da reforma imigratória

Futuro dos 11 milhões de indocumentados continua incerto

Breno Giacomini

Três dias depois de divulgar a lista de princípios, os republicanos começaram a culpar o presidente Barack Obama adiantadamente pelo fracasso do debate da reforma imigratória em 2014.

A Casa Branca disse na semana passada que receberia com agrado o documento e ressaltou que a lista atendeu aos princípios do presidente sobre a reforma imigratória.

A lista inclui a cidadania para dreamers que sirvam nas Forças Armadas ou se formem em uma universidade e uma via de legalização para o resto dos indocumentados.

Os democratas querem confirmar se há um compromisso real por parte dos republicanos para aprovar a reforma.

Embora não esteja certo que os legalizados poderão converter-se em cidadãos e tampouco sua proibição, legisladores republicanos se anteciparam para explicar que aqueles que consigam a residência poderão naturalizar-se sob as leis vigentes, e reiteraram que não haverá uma “via especial” para converter-se em cidadãos dos Estados Unidos.

No domingo (2), a deputada Ileana Ros-Lehtinen disse no programa Al Punto da Rede Univision que os republicanos não debaterão um projeto integral de reforma imigratória como foi feito no Senado em junho, e destacou que o plano da Câmara dos Deputados será discutido por partes.

Os republicanos não incluíram legalização para os indocumentados em seus princípios para uma reforma imigratória.

“O primeiro projeto será ter mais tecnologia, mais agentes na fronteira. Já temos isto. Este vai ser o primeiro projeto. Eu não estou a favor do projeto de lei SAFE que vai por os indocumentados como criminosos. Mas a fronteira, o E-Verify, os dreamers – que não é tudo o que gostaríamos – e o processo de legalização vão ser tratados. Primeiro estas partes. Não sabemos bem quando virão estes projetos ao plenário da Câmara para ser votados.”

A deputada fez questão de destacar: “Lembre-se que estes são somente princípios, não são projetos de lei. Quando forem apresentados os projetos, e oxalá seja logo, vamos saber quais são estes pontos”.

A nova estratégia

Após as declarações, The Associated Press divulgou que o novo plano dos republicanos é criticar Obama como um líder no qual não se pode confiar, além de seu governo não aplicar as leis aprovadas. E que, ao se dar conta de que há poucas probabilidades de se alcançar um consenso no tema imigratório, os republicanos começaram a dizer aos votantes que, se a Câmara dos Deputados de maioria republicana não agir neste ano eleitoral, é tudo culpa do presidente.

“Se o presidente tivesse sido sério nisto durante os cinco anos anteriores já teríamos avançado nesta discussão”, disse o governador republicano de Louisiana, Bobby Jindal.

Antes das declarações de Jindal, o deputado Paul Ryan (R-Wisconsin), ex-candidato à vice-presidente republicano em 2012, assegurou que a desconfiança em Obama dissuadiu vários de seus correligionários. “Aqui há algo em que todos os republicanos estão de acordo: não confiamos que o presidente aplique a lei”.

A lista de princípios da reforma imigratória pede que sejam asseguradas as fronteiras e certificadas as medidas adotadas neste sentido antes de dar o próximo passo: melhoria para a imigração legal e a legalização dos indocumentados.
Os próximo passos

Para ser aprovada a reforma migratória a liderança republicana precisa primeiro cumprir a Regra Hastert, que só permite enviar ao plenário aqueles projetos que tenham o apoio da maioria da maioria (118 dos 234 votos republicanos).
O Comitê Judiciário da Câmara dos Deputados aprovou até agora cinco emendas de segurança. A deputada Ros-Lehtinen disse que algumas delas poderão ser enviadas ao plenário como parte das iniciativas que serão votadas e que formarão a reforma imigratória republicana.

A liderança republicana da Câmara advertiu em sua lista de princípios que não estão dispostos a levar ao Comitê de Conferência o plano de reforma S. 744 do Senado, que inclui a cidadania para indocumentados que estão nos Estados Unidos desde antes de 31 de dezembro de 2011 e não tenham antecedentes criminais.

No caso de os democratas – que controlam o Senado- aceitar as exigências republicanas e retirar o projeto S.744 a Câmara Alta deverá debater e aprovar os projetos que forem enviados à Câmara dos Deputados. Depois deverão ser enviados para a assinatura de Obama para convertê-los em lei.

Compartilhar Post:

Baixe nosso aplicativo