Retrospectiva 2009: Um escândalo atrás do outro em Brasília

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Ano foi marcado por série de denúncias e, mais uma vez, impunidade

Agaciel Maia, José Roberto Arruda, José Sarney, João Carlos Zoghbi, Edmar Moreira… a lista de políticos e servidores públicos envolvidos em denúncias de corrupção e improbidade poderia prosseguir por mais alguns parágrafos, o que dá a noção do que foi 2009 na política brasileira. Infelizmente, apesar de todas as evidências – algumas delas até comprovadas com imagens – e da forte pressão da sociedade, o ano terminou com a sensação de impunidade no ar.

A primeira denúncia aconteceu logo no primeiro trimestre, envolvendo o recém-eleito presidente do Senado, José Sarney, e o então diretor-geral do Senado, Agaciel Maia. Ocupando o cargo administrativo mais importante da Casa, ele possui uma casa de cinco milhões de reais em Brasília, mas não declarou o bem no imposto de renda. Além disso, o 82º senador, como era conhecido por seu poder entre os políticos da Capital, é acusado de ser sócio de todas as empresas terceirizadas que têm contrato com o Senado.

O fato deflagrou uma série de outras irregularidades na principal Casa Legislativa do Brasil, respingando sempre na figura do ex-presidente da República José Sarney: o político, de acordo com uma ONG, protagonizou 25 escândalos no ano, levando-se em conta apenas os que o atingiram diretamente – ou seja, sem contar os que envolveram familiares e agregados do clã do Maranhão: nepotismo, concessão de horas extras a servidores no recesso parlamentar, uso de policiais do Senado em sua casa, o aumento desmedido de cargos comissionados, recebimento do auxílio-moradia de forma ilegal, os atos secretos, a verba indenizatória, contas bancárias em paraísos fiscais e por aí vai. Pressionado para deixar a presidência da Casa, Sarney fez questão de empurrar a culpa para a Instituição: “A crise não é minha, é do Senado”, afirmou.

A Câmara dos Deputados também foi palco de escândalos, especialmente na figura do deputado mineiro Edmar Moreira, que omitiu em sua declaração do Imposto de Renda um castelo com 36 suítes, avaliado em 25 milhões de reais. No Conselho de Ética, o relator do caso, deputado Sergio Moraes (PTB-RS), disse que Moraes deveria ser absolvido e afirmou que estava “se lixando” para a opinião pública. Moreira, é claro, se livrou da cassação. E o que dizer da “farra das passagens”, que expôs que parlamentares usavam a verba da Câmara para pagar as viagens de parentes, amigos ou terceiros.

O ano fechou com chave de ouro no quesito escândalo, com imagens que deixam poucas dúvidas em relação ao envolvimento do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, em um esquema de distribuição de propinas a parlamentares locais. Mesmo assim, a primeira reação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi colocar panos quentes na questão. “Vamos aguardar, a imagem não fala por si”. Por falar em Lula, ele visitou 31 países em 2009, fechando o ano com três meses de visitas internacionais. Nunca na história do país, um presidente passou tanto tempo for a do Brasil.

 Mas o ano não foi apenas de notícias ruins: 2009 termina com o Brasil assumindo sua condição de nova potência mundial emergente, graças ao petróleo em abundância, à liderança em desenvolvimento de Biocombustíveis, economia sólida e recursos naturais incontáveis. Por isso, ao encontrar com Lula, no início do ano, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse: “Esse é o cara”.