Reviravolta nas investigações sobre voo 447 da Air France

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Peças encontradas na costa brasileira não são do jato que supostamente caiu esta semana

A Aeronáutica, através do tenente-brigadeiro Ramon Borges Cardoso, diretor do Departamento de Controle do Espaço Aéreo da Força Aérea Brasileira (FAB), acrescentou mais doses de mistério e angústia às investigações sobre a provável queda do Airbus 330 da Air France, que fazia o voo 447 (Rio de Janeiro-Paris). Segundo os especialistas, as peças recolhidas na costa brasileira até agora não pertencem ao jato da companhia francesa, que levava 228 pessoas a bordo e sumiu na madrugada da última segunda-feira. “O material não faz parte dos destroços do Airbus. É lixo de alguma outra embarcação ou aeronave”, afirmou Cardoso, admitindo que o tempo agora é o principal inimigo das equipes de busca. “Passadas cem horas do acidente tornam-se mais remotas as chances de encontrarmos algo, inclusive os corpos, até porque as tempestades dificultam o trabalho”, completou.

O tenente-brigadeiro afirmou que a área a ser vasculhada é de seis mil quilômetros quadrados. A única maneira de saber o que realmente aconteceu com o avião é através das caixas-pretas, que registram todas as informações da aeronave, inclusive a conversa entre os pilotos. No entanto, o material pode estar a até seis mil metros de profundidade, onde o fundo do mar é cheio de fendas e com cadeiras de montanhas submarinas – ou seja, seria como encontrar uma agulha no palheiro. Por enquanto, a tragédia continua sem esclarecimentos. “Todos querem respostas que não podemos dar ainda”, disse Cardoso.

A possibilidade de ato terrorista, conforme sugerido por um jornal francês, está 99,9% descartada, segundo um policial federal. A hipótese mais provável é que o avião estava viajando a uma velocidade imprópria. Este foi o maior desastre aéreo envolvendo brasileiros.