Rubio diz que não fazer nada com a reforma imigratória não beneficia o país

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Senador da Flórida, no entanto, adverte que a única possibilidade por ora na Câmara é um plano em partes

Um dos integrantes do Grupo dos Oito que redigiu o plano S. 744 aprovado em junho no plenário do Senado e que inclui um caminho para a cidadania defendeu a iniciativa de lei e advertiu que “não fazer absolutamente nada não beneficia o país”.

“Um dos obstáculos que enfrentamos para obter qualquer resultado na Câmara Baixa é o temor de que a aprovação de projetos limitados que têm amplo apoio serão usados para uni-los com o projeto do Senado, o qual não tem amplo apoio na Câmara de Deputados”, disse à Noticias Univision.com Alex Burgos, porta-voz do senador Marco Rubio (Flórida).

O porta-voz acrescentou que “devemos eliminar esta preocupação para que possamos continuar tentando obter algo agora nas áreas nas quais existe consenso enquanto a Câmara Baixa continua buscando soluções nos outros assuntos imigratórios”.

Guerra de posturas

As declarações foram registradas nos momentos em que cresce a pressão sobre a liderança republicana da Câmara de Deputados para que elimine a vigência da Regra Hastert e envie ao plenário um projeto de lei de reforma imigratória para ser votado.

A Regra Hastert exige que sejam enviados ao plenário somente projetos que tenham o respaldo da maioria da maioria (118 dos 234 votos republicanos). Por sua vez, os democratas e a Casa Branca asseguram que têm mais dos 218 votos mínimos necessários para aprovar a reforma imigratória a qualquer momento, mas a normativa impede a votação.

A semana passada uma fonte do Congresso mostrou uma lista com os nomes de 28 republicanos que apoiam uma reforma com cidadania. Somados aos 195 democratas dos 201 que integram a bancada da minoria, reúnem os votos suficientes para aprovar uma lei.

Plano sobre a mesa

No início de outubro um grupo democrata encabeçado pela líder da minoria, Nancy Pelosi (Califórnia), entregou à Câmara uma versão modificada do projeto S. 744 que substitui uma dura emenda de segurança por outra aprovada em abril com apoio bipartidário.
Até o domingo o plano contava só com o apoio de 180 democratas, mas o respaldo do congressista republicano da Califórnia, Jeff Denham, o converteu em uma proposta bipartidária.

Apesar da rebeldia de Denham, a Regra Hastert continua vigente e a liderança republicana mantém a estratégia de debater uma reforma por partes, sem que nenhuma delas garanta a legalização dos indocumentados.

Declarações anteriores

O diário La Opinión de Los Angeles divulgou nesta terça-feira (29) que Rubio teria decidido “retirar seu apoio ao projeto de reforma imigratória que ele mesmo, junto com outros sete senadores, conseguiu que fosse aprovado em junho passado”.

O gabinete do senador disse que “trabalhou muito duro” na reforma imigratória e que o debate “foi superado com sucesso no Senado, mas agora enfrentamos outra realidade política” na Câmara.

“O senador está tentando avançar um projeto de reforma imigratória e a melhor maneira de fazê-lo é concentrar-se no que estamos de acordo”, acrescentou.

Citando declarações dadas por Rubio ao diário The Wall Street Journal, o gabinete de Rubio disse à Noticias Univision.com que o senador “ainda é a favor de uma solução integral para os problemas de imigração do país” e que “não permitimos fazer tudo o que nos afaste de fazer algo”.

Em declarações ao diário Tampa Bay na semana passada, Rubio disse que em função do ambiente no qual estamos agora, a única possibilidade de sucesso em matéria de imigração na Câmara poderia ser através de “uma série de projetos de lei” relacionados, ou seja, aprovar um plano como o sugerido pela liderança republicana desde antes da aprovação do projeto S. 744 em junho: uma reforma imigratória por partes.

O cenário

A reforma imigratória com cidadania tem amplo apoio democrata, o respaldo do presidente, a opinião favorável da maioria dos americanos e a pressão de empresários, a indústria de alta tecnologia, as igrejas, sindicatos, advogados e organizações pró-imigrantes que organizaram passeatas e campanhas de envio de mensagens para inundar o Congresso.

Atí 16 de outubro o projeto agonizava no Congresso em meio a uma encarniçada batalha entre democratas e republicanos pelo orçamento e pelo teto da dúvida. Mas pouco antes das 22 horas deste dia as coisas mudaram e o debate ressurgiu com força, mas a Regra Hastert ainda tem força suficiente para conter pressões e obrigar negociações a portas fechadas.

Mas não haverá batalha de longo prazo. Analistas destacam que 2014 está aí e é um ano de eleições. Nas últimas duas eleições presidenciais (2008 e 2012) os republicanos perderam a Casa Branca e a reforma imigratória foi importante na inclinação do voto latino.

Juan José Gutiérrez, presidente do Movimento Vamos Unidos USA, lembrou que a mensagem das organizações pró-imigrantes é clara: “lembraremos nas urnas aos republicanos sobre suas promessas depois das últimas eleições nacionais”.

Cinco dias depois da reeleição de Obama para um segundo mandato, a oposição voltou à mesa de negociações para aprovar o quanto antes uma reforma imigratória bipartidária. O Senado fez a sua parte, mas na Câmara a ala ultraconservadora se apega à Regra Hastert e tem impedido um voto no plenário, até agora.