Saddam diz que pena de morte o fará um ‘mártir’

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Apelo contra sentença foi negado e Saddam será enforcado

O ex-presidente iraquiano Saddam Hussein afirmou que será executado como um “verdadeiro mártir” em uma carta escrita pouco depois de ter sua sentença de morte anunciada por um tribunal iraquiano, em novembro.
“Sacrifico-me. Se Deus assim desejar, Ele me colocará entre os homens verdadeiros e mártires”, escreveu Saddam.

O documento foi revelado um dia após uma corte de apelação confirmar a condenação à forca do ex-líder iraquiano pela morte de 148 xiitas na cidade de Dujail, em 1982.

A sentença contra o ex-presidente sunita deve ser executada ainda no mês de janeiro, afirmou o tribunal.

Acusações

Na carta aos iraquianos, divulgada por seus advogados, Saddam acusa os Estados Unidos e o vizinho xiita Irã de estarem por trás da atual onda de violência no Iraque.

“Os inimigos do seu país, os invasores e os persas viram em sua unidade uma barreira entre vocês e aqueles que agora os estão dominando (…)”, disse.

As palavras ecoam declarações feitas por Saddam Hussein ao longo do julgamento, quando condenou o que chamou de “teatro judicial” e “vendeta política”.

Em separado, Saddam está sendo julgado por acusações relacionadas a uma operação militar contra os curdos no fim dos anos 1980 – a chamada operação Anfal – na qual mais de 180 mil pessoas teriam morrido.

Condenação

O correspondente da BBC em Bagdá Peter Greste disse ter havido apenas uma “resposta muda” à notícia de que o líder iraquiano perdeu a apelação judicial que poderia livrá-lo da forca, em comparação com as diversas demonstrações de seus simpatizantes ao longo do julgamento.

Pelas leis iraquianas, Saddam deve ser executado ainda que não esteja concluído o segundo julgamento.

A data e o local da execução não foram revelados. Para evitar possíveis incidentes, esses dados talvez sejam divulgados apenas depois do procedimento.

Em uma declaração feita na terça-feira, o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, enfatizou que a Grã-Bretanha se opõe à pena de morte, mas adicionou que o julgamento lembrou claramente como o governo de Saddam era brutal.

A Casa Branca disse que o veredicto é um marco nos esforços do Iraque para “substituir o poder de um tirano pelo poder da lei”.

Já grupos de defesa dos direitos humanos questionaram a legalidade do julgamento, entre eles a organização Human Rights Watch, com sede nos Estados Unidos.

A entidade disse que o governo iraquiano comprometeu a credibilidade do julgamento.

O governo da Índia pediu clemência, expressando preocupação com qualquer atraso no restabelecimento da paz no Iraque.