Senado rejeita primeira emenda à reforma e mantêm o Guest Worker Program

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Senadores mantiveram o programa que pode permitir a entrada de 600 mil trabalhadores por ano

(Acompanhe o debate sobre a reforma imigratória ao vivo pela C-Span 2)

Da redação
O primeiro round de emendas ao projeto de reforma imigratória terminou com pontos a favor dos imigrantes. Por 64 contra 31 votos, o Senado rejeitou a primeira emenda, de número 1153, proposta à reforma, de autoria do senador Byron Dorgan ( R- North Dakota), que propunha a eliminação do Guest Worker do texto do projeto de legalização. Dorgan argumentou que há norte-americanos suficientes e qualificados para atender à demanda do mercado de trabalho, e acusou o mercado de construção e da agro-indústria – entre outros setores- de terem interesse em explorar mão-de-obra barata.
Os senadores entendem que o programa de trabalhador convidado é o coração da reforma e que não há sentido em se promover uma nova legislação sobre imigração, sem contemplar a entrada de novos imigrantes no país. Assim, ficou mantido o guest worker, que pode permitir a vinda de mais de 600 mil trabalhadores, todos os anos, aos EUA.
Essa foi apenas a primeira emenda, votada no início da noite de hoje (terça-feira). Até sexta-feira o Senado deve votar outras emendas. A do senador Jeff Bingaman ( D-New Mexico) propõe reduzir para 200 mil, ao ano, o número de vistos concedidos para trabalhadores temporários. Essa emenda tem chance de ser aprovada já que passou no Senado, no ano passado, com uma grande margem de diferença de votos.
Lindsey Graham ( R-South Caroline), propõe uma detenção obrigatória, e sem direito a recursos, para todos os imigrantes detidos na fronteira. Senador James Inhofe (R-Oklahoma) acrescentou no projeto de reforma uma medida de proteção à língua pátria, declarando o inglês língua oficial do país.
Sen. David Vitter ( R-Louisiana), ainda tem esperança de derrubar o projeto todo, que chama de “anistia, pura e simples”.
Durante a tarde, vários legisladores republicanos ocuparam a tribuna para criticar o projeto. Jeff Sessions foi o mais enfático e defendeu normas mais rígidas para a legalização.
Segundo Sessions, uma reforma justa que defenda os “interesses nacionais” deve priorizar o nível educacional dos imigrantes, a exemplo do que faz o governo canadense. “No Canadá, 60% dos imigrantes têm alto nível de formação educacional. Nos EUA esse número gira em torno de 25%. Isso não deve continuar assim”, afirma. No Canadá, os vistos de trabalhos são concedidos sob um sistema de pontuação, onde a educação, fluência da língua e idade contam como pontos positivos.
Jeff defende que seja restringido em 80% a concessão de vistos para famílias dos trabalhadores. “O ideal seria que somente 20% dos temporary workers possam trazer suas famílias ao país. Os outros 80% podem viajar regularmente para visitar seus entes queridos”, argumenta. Também argumenta que um trabalhador temporário deva trabalhar por dois anos, voltar ao seu país por um ano, e poder retornar aos EUA três vezes apenas –por um período de dois anos cada vez-, para trabalhar. Após a terceira vez, não teriam direito à residência e nem poderiam renovar o visto de trabalho.
Ele também manifesta preocupação em relação ao well fare, programa de suporte financeiro concedido às famílias de baixa renda. “Nós gastamos cerca de 19 mil dólares ao ano, em well fare, com uma família de baixa renda. Deixando milhões de imigrantes trazerem suas família para o país estaremos incorrendo no risco de ter, no futuro, milhões de cidadãos solicitando well fare”, afirmou Jeff. “Serão milhões de pessoas sobrecarregando o sistema de saúde, de Seguridade Social e os sistemas escolares. Isso é um desastre”, concluiu.

Leia na íntegra o texto da Reforma Imigratória