Senador Mel Martinez acredita que reforma imigratória estará aprovada em setembro

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Os senadores devem fechar um projeto de lei até o final do mês de maio

Em entrevista coletiva, o senador Mel Martinez, republicano da Flórida, revelou que os senadores deverão fechar um acordo sobre o projeto de lei de imigração até o final do mês de maio. Ele acrescentou, ainda, que a reforma imigratória deverá estar concluída em setembro, antes das eleições gerais americanas. Embora reconheça ser difícil conciliar propostas tão antagônicas como a aprovada pela Câmara dos Deputados e a que pode ser aprovada pelo Senado, Martinez revelou que o presidente George W. Bush manifestou seu apoio à resolução deste problema crucial e jogará sua liderança para uma reforma imigratória justa e humana, mas que respeite as leis do país.

Martinez abriu a entrevista discorrendo sobre sua proposta de imigração, concebida em parceira com o senador Chuck Hagel, republicano do estado de Nebraska, que prevê três pontos fundamentais: concessão de todos os direitos aos imigrantes que vivem nos Estados Unidos há cinco anos ou mais, inclusive autorização de trabalho e permissão para viajar ao exterior. Eles terão, no entanto, de cumprir seis anos de trabalho no país e apenas depois disto solicitar o green card. Somente ao fim deste período – que, calcula-se, seja de 11 anos – é que o estrangeiro poderá entrar com pedido para se tornar cidadão americano.

Aqueles que vivem no país entre dois e cinco anos terão os mesmos direitos. No entanto, terão de sair do país e ir a um posto no exterior para depois reentrar nos Estados Unidos. Os que moram aqui há menos de dois anos, porém, deverão deixar o país e inscrever-se no programa de trabalhadores temporários (que pode ser aprovado dentro do projeto de reforma imigratória), mas sem garantias de privilégios. Os que teimarem em permanecer no país sem enquadrar-se dentro destas condições não terão como trabalhar porque os empregadores exigirão a apresentação da permissão de trabalho – um documento individual à prova de fraudes, que conterá todos os dados biométricos do portador.

A questão com a qual todos concordam refere-se ao aumento de segurança na fronteira, com incremento de policiamento, proteção virtual, com equipamentos eletrônicos e aviões, e uma possível cerca junto à região de San Diego. “Mas não deveremos ter nenhum tipo de muro”, afirmou o senador, que também propõe medidas duras contra os traficantes de pessoas, os coiotes.

Com relação aos que aguardam definição e estão no chamado backlog, Martinez explicou que seu projeto prevê o incrementos dos vistos para solucionar o problema. “Defendemos uma imigração aos EUA, mas de maneira legal e viável”, complementou.

Sobre as manifestações de ruas que estão movimentando os imigrantes, sobretudo os latinos, Martinez foi enfático ao reconhecer o papel importante que elas desempenharam junto aos parlamentares e à opinião pública americana. No entanto, desaconselhou a greve geral marcada para o dia 1º de maio: “Acho que este expediente é muito perigoso e pode colocar em risco muito do que se conquistou e muitos imigrantes podem perder seus empregos”, finalizou.