Senadores solicitam mediação de Bush para impulsionar reforma imigratória

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Senador Ted Kennedy acredita que o Senado fechará um projeto de lei até o final de maio

Líderes democratas e republicanos do Senado dos EUA pediram hoje (25/04) a mediação direta do presidente George W. Bush para destravar um acordo bipartidário que permita a legalização de milhões de imigrantes indocumentados. Os legisladores fizeram esta petição, enquanto o Comitê Judiciário do Senado analisava hoje, durante uma audiência, o impacto econômico da imigração nos EUA – em geral, positivo -, e as conseqüências das diversas propostas imigratórias.

A audiência, a primeira do Comitê após um recesso de duas semanas, foi realizada no auge do debate nacional sobre o que fazer com os cerca de doze milhões de imigrantes indocumentados que, acredita-se, vivam no país.

Na abertura da audiência, o presidente do Comitê, o republicano Arlen Specter, manifestou confiança em que o presidente Bush possa “intervir” no debate para persuadir os republicanos que se oponham a um programa de trabalhadores temporários.

Antes do recesso, o Senado havia obtido um acordo, elaborado pelos republicanos Chuck Hagel e Mel Martínez, que permitiria a legalização dos indocumentados que levam mais de cinco anos nos Estados Unidos e estabeleceria um programa de trabalhadores temporários para o resto da população ilegal. Este acordo desmoronou em meio a uma disputa parlamentar por causa de várias emendas apresentadas pelos republicanos e degenerou em recriminações de “politicagem” e obstrução.

Segunda-feira, durante um discurso perante empresários em Irvine (Califórnia), Bush disse que a deportação indiscriminada “jamais funcionará” e reiterou seu pedido por uma reforma imigratória integral. Agregou que a proposta Hagel-Martínez parecia um “conceito interessante”, mas teve o cuidado de não se pronunciar com mais detalhe.

Bush deve receber na Casa Branca Specter, o senador democrata Edward Kennedy e outros líderes do Senado para tratar de dirimir as diferenças em torno da reforma imigratória. Em declarações aos jornalistas, Kennedy e sua colega Dianne Feinstein mostraram-se otimistas de que com a intervenção de Bush avançará no caminho para a aprovação de uma reforma imigratória.

As declarações de Bush demonstram “uma proximidade em relação à nossa posição”, que inclui a legalização dos imigrantes indocumentados que vivem há muito tempo no país, não têm antecedentes criminais, estão em dia com o pagamento de impostos e buscam integrar-se à sociedade americana. “Estou esperançoso de que Bush irá envolver-se mais” para que a iniciativa para a reforma imigratória chegue ao plenário do Senado, disse.

Kennedy não descartou a possibilidade de que o Senado defina algum tipo de alívio imigratório para final de maio. “Não há razão pela qual não se possa conseguir”, afirmou o senador, após assinalar que a audiência de hoje deixou claro que os imigrantes produzem um impacto positivo na economia do país.

Por seu lado, Feinstein disse que Bush enfrenta a difícil tarefa de convencer os céticos nas duas câmaras do Congresso para que aprove um bom projeto de reforma.

O projeto de lei aprovado pela Câmara de Deputados em dezembro passado é “inaceitável” e “espero que o presidente trabalhe até que seja obtido um acordo” sobre as posições que estão sendo debatidas, disse Feinstein. A senadora referiu-se ao projeto de lei do republicano James Sensenbrenner que converte em delinqüentes os imigrantes indocumentados e aqueles que os ajudarem, além de autorizar a construção de um muro na fronteira com o México.

Qualquer projeto que saia do Senado terá de ser homologado com o de Sensenbrenner para converter-se em lei, mas, segundo analistas, a verdadeira batalha estará precisamente no processo de harmonização bicameral. Para Feinstein, o fato de Bush estar distanciado-se da ala radical do Partido Republicano, a mesma que apóia a “criminalização” dos imigrantes indocumentados e pede a deportação indiscriminada, “é um começo”.