Ser ‘adotado’ por uma família durante o intercâmbio é um grande negócio

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Praticar uma língua estrangeira, trocar experiências culturais e viajar com os ‘pais’ são algumas das vantagens

A corretora de imóveis americana Patricia Sun acolhe intercambistas em sua casa porque nunca teve filhos. ‘Quando não estou com um estudante, me sinto perdida. A casa fica vazia’, afirma. O casal Matt Ball e Justine Tideman tem dois filhos pequenos, mas adora integrar estudantes internacionais à família. ‘As crianças se apegam muito aos jovens’, diz Ball. Kathy Kensinger, por sua vez, considera-se ’embaixadora’ de São Francisco no mundo. ‘Gosto de receber intercambistas para acabar com as concepções erradas sobre os Estados Unidos, do fast-food à política de direita.’

Os motivos que levam host families a receber estudantes de intercâmbio em casa são muitos, mas o principal costuma ser o mesmo dos jovens que elas hospedam: conhecer outra cultura. ‘Adoro explorar diferentes visões de mundo e conhecer mais sobre outros países’, afirma Kathy. A executiva de 58 anos já recebeu jovens do Japão, de Taiwan, de vários países da América do Sul (inclusive do Brasil) e da Europa. Já a banqueira Elisabeth de Saussay considerou enriquecedora a experiência de hospedar um estudante da Arábia Saudita. ‘Aprendemos muito sobre aquele país’, diz.

Entre os intercambistas, a hospedagem em casa de família é a forma de acomodação mais procurada, perfeita para quem quer aprimorar a língua. O risco de passar todo o tempo livre falando português com outros brasileiros, por exemplo, não existe. Pelo menos na hora do jantar, o aluno terá de usar o idioma local para se comunicar, já que na maioria das vezes a hospedagem em casa de família inclui meia pensão.

Algumas host families vão além e promovem atividades para ajudar no aprendizado dos estudantes. ‘Assisto a filmes com eles e ensino expressões idiomáticas’, diz Patricia Sun. ‘Depois do jantar, conversamos sobre a cultura americana.’

SELEÇÃO

Na escola de inglês St. Giles, em São Francisco, mais da metade dos alunos pede para ficar em casa de família. ‘Os estudantes querem aprender sobre a cultura local. Além disso, eles querem fazer parte de uma família e acham essa opção menos assustadora’, explica Nicole McFadden, coordenadora de Acomodação da instituição. Ela fala com propriedade. ‘Eu mesma fiquei em casa de família quando fiz intercâmbio no México. Gostava de conversar com a minha ‘mãe’ mexicana e aprender sobre os costumes de lá.’

Nicole é responsável por selecionar as famílias que recebem os alunos internacionais da St. Giles. Ela explica que a escola tem cerca de 200 famílias cadastradas, mas acaba usando apenas 50. ‘Classificamos as casas em notas A, B ou C. As que têm nota A ficam com a maioria dos estudantes, enquanto as de nota C são usadas só nas épocas mais movimentadas’, afirma.

A avaliação da host family depende, em primeiro lugar, da distância da casa à escola, que não pode ser de mais de 45 minutos em transporte público. Depois, Nicole faz uma entrevista por telefone com os interessados e uma visita para tirar fotos das instalações. ‘Tento pensar se eu me sentiria confortável lá.’

Uma das preocupações é verificar se a pessoa quer receber os estudantes por um interesse sincero na troca cultural, ou se quer simplesmente complementar a renda. As host families em São Francisco, por exemplo, recebem da escola de US$ 194 a US$ 270 por semana por intercambista hospedado, mas o dinheiro deve ser encarado apenas como uma recompensa pelos gastos com o jovem.

ESTILOS

Assim como as famílias se deparam com todos os tipos de estudantes, há também host families para todos os gostos. Patricia Sun é uma mãezona. ‘Trato todos como se fossem meus filhos’, afirma.

Já Matt Ball e Justine Tideman, de 36 e 38 anos, são amigões dos jovens. ‘Acho estranho o pessoal que age como se fosse pai dos estudantes’, diz Ball. ‘Aqui, os intercambistas podem passar a noite fora ou ficar assistindo TV. A única regra é respeitar a família. Não vou supervisionar ou estabelecer horários para ninguém.’

Se os estudantes mostrarem interesse, ele e Justine os levam junto até em viagens da família. ‘Eles não precisam pagar nada. É divertido ter a companhia deles. Levamos uma intercambista suíça para o México com a gente’, conta.

Na família Kesinger, Kathy e Kear montam uma programação cultural. ‘Integramos os estudantes nas atividades que gostamos, como ir a shows de jazz, apresentações de dança moderna e ao cinema’, afirma Kathy.

E você, ficou com vontade de integrar uma família estrangeira por alguns meses? Então só falta escolher o curso. Opção é o que não falta – agências de intercâmbio e organizações tradicionais, como o Rotary e a AFS Intercultura Brasil, têm desde o programa de high school, para alunos do ensino médio, a programas de intercâmbio para fazer trabalho voluntário em comunidades carentes. Confira os diferentes tipos nas próximas páginas.