Simone Leitão grava novo CD em 2014

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Artista acaba de fazer apresentação única em NY e agora segue agenda brasileira

Tonya Elizabeth

Simone Leitão, essa virtuosa mineira, lançou seu primeiro CD em 2011, e agora se prepara para mais um trabalho de sucesso. Na época ela também participou como solista do Miami Symphony e da Amazonas Filarmônica. O ano de 2014, aliás, será um ano muito agitado para essa concertista clássica.

“Quando me mudei para o Brasil, logo criei o Festival de Música de Câmara. Este será o terceiro ano do evento, que está crescendo e acontecerá em setembro, na Sala Cecília Meireles, no Rio. Assim que voltar do Carnegie Hall, me apresento com um quarteto no interior de São Paulo. Depois, com a minha orquestra, a Orquestra Academia Jovem Concertante, viajo para o norte do Brasil. Outro projeto meu.

Também volto a me apresentar na Grécia em 2014 e, no fim de março, tenho o lançamento do documentário que a Katia Lund fez durante a minha tournée com a Orquestra de Barra Mansa.

Em agosto, faço outra tournée com a orquestra, mostrando o documentário. No fim do ano, outra tournée na China, onde vou virar o ano”, conta ela que se apresentou no dia 30 de janeiro no Carnegie Hall, em Nova York, recitando peças de Bach, André Mehmari, Beethoven e Ginastera.

Essa virtuosa mineira, além de todo o sucesso como solista clássica, também atua como diretora artística do projeto Brasil Classical desde 2009. A organização, da qual a musicista é uma das fundadoras, promove a música sinfônica de compositores brasileiros nos Estados Unidos e ajuda iniciativas de inclusão social.

A pianista mora desde 2012 no Rio de Janeiro onde, aliás, fez seu “debut”, no Conservatório Brasileiro de Música, em 1987. “Minha vida musical atualmente está mais concentrada no Brasil”, explica a musicista. Porém, Simone conhece bem a Flórida. Afinal, morou aqui alguns anos, onde realizou seu doutorado em Musical Arts (Artes Musicais) na Universidade de Miami.

Apesar de ter atuado no mundo do jazz para ajudar com os gastos na Europa, onde também estudou, ela confessa que seu dom é mesmo para a música erudita: “O jazz nunca tocou o meu coração. Nunca pensei em passar a vida tocando jazz. Sempre voltava para o Bach, Beethoven…”

E qual seria seu compositor favorito? “A gente evita ter uma preferência. Tocar é um servir o tempo todo, mas devo confessar que tenho uma conexão muito forte com Bach, que todo o pianista clássico estuda desde pequeno… Eu sempre tenho uma alegria imensa ao tocar Bach e sempre obtenho excelentes críticas sobre o meu trabalho. Beethoven cada vez me apaixona mais… De brasileiro, Villa-Lobos, não tem jeito! Tenho com ele também uma conexão muito forte. Dos românticos, ou neo-românticos, com certeza, Rachmaninov. Gosto muito de sua obra e minhas mãos se adaptam bem ao seu estilo, apesar da dificuldade técnica.”
Ela fala das suas maiores influências musicais: “O Homero de Magalhães e a Linda Bustani, meus professores no Rio de Janeiro, mudaram a minha vida. O Homero mudou a maneira como eu via a música, minha forma de pensar, e a Linda mudou a minha mão. Eu havia feito o curso do Conservatório Brasileiro de Música, mas não estava equipada para o nível de competição na música clássica e, em dois anos, de muito trabalho, eles resolveram a minha vida. O Ivan Davis, meu professor em Miami, nos Estados Unidos, também me ajudou muito. Ele foi aluno do Horowitz. Ele é um grande pianista americano e me ensinou muito nos quatro anos de estudo com ele.”

A pianista já se apresentou por todo o mundo, como solista de orquestras nas Américas, Europa e Ásia. Mas este êxito exige muita dedicação: “Com tantas entrevistas, não tenho estudado muito mas, normalmente, em preparação para um concerto importante, eu estudo cinco horas por dia. Na fase da preparação para me tornar concertista, na juventude, praticava entre oito e nove horas diárias. Eu fiz isso por três anos. Agora já não preciso de tudo isso e nem daria tempo, pois há outras coisas que a gente precisa fazer para a manutenção da carreira. É muita coisa!”