Sô Zé, O mineirinho do riso

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Antonio Tozzi

Ouvir o sotaque mineiro é a coisa mais comum na comunidade brasileira que vive aqui nos Estados Unidos. Afinal, a maior parte dos imigrantes que aqui se estabeleceram vieram da terra de Tiradentes, sobretudo da região do Vale do Rio Doce.

Entretanto, nem por isto deixa de ser engraçado ouvir as piadas e os “causos” contados pelo André Luiz Ferreira, ou mais especificamente o personagem criado por ele, o Sô Zé, um caipira que fala arrevezado, mas que demonstra, por trás de sua simplicidade, bastante esperteza.

O personagem criado por André vem conquistando cada vez mais fãs entre os brasileiros que vivem aqui nos EUA. Tanto que ele tem atraído muito público onde quer que faça seus shows. E os apreciadores do artista ainda compram CDs com os quais podem reviver os bons momentos dos shows.

Posso me considerar um fã do trabalho de André, ou melhor do Sô Zé. Recentemente, assisti a um show no Café Mineiro. Ele demonstrou toda sua versatilidade e fez a platéia rir a valer. Contracenando com Ariele Portela, e contando com a participação de um violeiro, Táles, o personagem entremeou piadas com um humor, digamos assim, mais gráfico. Vale lembrar que o show era somente para adultos.

Todas as idades

Apesar de ter abusado do humor escatológico e dos palavrões neste show realizado no Café Mineiro, Sô Zé tem todas as condições de fazer um humor leve e descontraído, ideal para todas as idades.

Em seu show “Dedos de Prosa”, que será apresentado no dia 29 de setembro, no Park Playhouse Theater, em Fort Lauderdale, todos estão convidados a se deliciar com a sinceridade do matuto, que tem uma extrema capacidade de observação e muita sensibilidade para entender o mundo. Não é à toa que os mineiros que para cá vêm normalmente saem-se muito bem. Eles aprendem na escola da vida e este diploma é válido em qualquer país do mundo.

Todos pensam que fazer rir é fácil, mas não é. Encarar a platéia e fazer com que os espectadores esqueçam seus problemas durante duas horas é um negócio muito sério (perdão pelo trocadilho). Por isto, devemos enaltecer o esforço de artistas como André Luiz Ferreira.
Ele conta que para compor seus personagens conversa bastante com as pessoas humildes, a fim de poder filtrar seus maneirismos, seu linguajar e seu modo de vestir. “Como todo ator, faço meu laboratório para poder assimilar os trejeitos e o palavreado da gente do povo, que são pessoas pobres, mas ricas de espírito”, disse o artista. Aliás, a comprovar sua versatilidade, ele não se limita a imitar o mineiro. Também sabe interpretar o baiano, o carioca, o nordestino, enfim, os tipos brasileiros.

Os que ainda não puderam assistir a um espetáculo com o humorista (e não viram pelo menos seu personagem Sô Zé em alguns comerciais transmitidos pelas TVs brasileiras nos EUA) podem adquirir o CD “Dedos de Prosa”, no qual ele nos remete ao interior de Minas Gerais – e de outros estados brasileiros também – e mostra o que vai pelo coração e pela alma do caboclo brasileiro. São histórias deliciosas que nos fazem voltar à infância e reviver a época em que andávamos de pés descalços pelas ruas poeirentas e bebia-se água pura tirada do poço com um balde. Bons tempos aqueles.

Como diz aquela antiga canção, “recordar é viver”. Portanto, você tem encontro marcado com o Sô Zé neste final de mês. Quem melhor do que ele para nos levar a esta deliciosa viagem ao passado e mostrar aos nossos filhos as raízes de brasilidade que eles nunca devem perder, mesmo vivendo na era da cibernética no país mais rico do mundo.


Causo Mineiro

O caipira estava olhando atentamente um ônibus que vinha pela estrada em alta velocidade.
– Oy, que este busão cum esta faixas vai cair nesta ribanceira.
Não deu outra. O ônibus que levava um grupo de politicos em campanha eleitoral rolou ribanceira abaixo, como o caipira previra.
Uns dias depois, os policiais bateram na porta da casa do caipira para saber se havia visto algum acidente na estrada. O caipira confirmou que tinha visto sim e tomado providências, inclusive enterrado as vítimas.
Um dos policiais perguntou ao caipira:
– Mas estavam todos mortos?
Coçando a barbicha, o matuto respondeu:
– Oí aqui, moço. Pra falá a verdade, uns diziam que estavam vivos. Mas, sacumé né, a gente nunca sabe quando político está falando a verdade…