Sócrates entrevista no Programa Brasil + Brasileiro

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PFC Internacional transmite no dia 7 de outubro

O ex-jogador de futebol, ídolo do Corinthians e da Seleção Brasileira, Sócrates, comanda o Brasil + Brasileiro produzido pelo Canal Brasil da Globosat. O programa, que traz personalidades de diversos segmentos da cultura nacional para um bate-papo descontraído com o ex-jogador, recebeu nada menos que um outro ídolo brasileiro e mundial: o ex-jogador Zico. O encontro entre as duas personalidades do futebol nacional será exibido na íntegra pelo canal PFC Internacional na sexta-feira, dia 7 de outubro às 21h30 (horário de Miami). No papo imperdível, os ex-jogadores lembram da Copa do Mundo de 82 e 86, na qual defenderam juntos a Seleção Brasileira. O programa foi gravado previamente por Sócrates que, até o final dessa edição, se recuperava de uma crise de cirrose hepática, após alguns dias de internação devido a um sangramento no esôfago. Confira parte da entrevista:
Sócrates: O que você sente quando se lembra de oitenta e dois? Tem algo que te incomoda? Ou oitenta e seis te incomoda mais?
Zico: Oitenta e seis incomoda mais porque eu não queria ir, sabia que tava com problema, que tinha que fazer cirurgia. A lesão era grave, sabia todo o esforço que ia fazer, então parece que estava adivinhando o final da história e isso sempre chateia porque as pessoas querem saber do que aconteceu no jogo em si, não querem saber do que aconteceu antes, então fica sempre uma marca negativa porque desperdicei um pênalti.

Sócrates: Fica uma mágoa?

Zico: Mágoa não porque, afinal de contas, quem tomou a decisão final fui eu porque jogar na seleção foi algo que sempre me deu muito prazer. Mas o prazer maior foi ter jogado na seleção de oitenta e dois. Você sabia que era uma seleção que tinha tudo para ganhar, uma seleção muito bem treinada e formada. Jogamos muito tempo e sabíamos que o futebol que apresentávamos era para nos levar ao título. A vitória de oitenta e dois teria sido boa, pois estaríamos contribuindo para o futebol mundial. Todos os lugares que vou no mundo, as pessoas têm uma lembrança boa daquela seleção.

Sócrates: Dá saudade do convívio com os jogadores daquela seleção?

Zico: Dá saudade, pois foi um convívio legal e sadio. O fato de estarem todos juntos no futebol brasileiro, exceto Falcão e Dirceu, foi um fator positivo para agregar todo aquele pessoal. Sem falar no comando, pois o Telê, apesar do jeito turrão, deixava a gente jogar, fazia tudo pra você melhorar e era democrático.

Sócrates: Como foi sua experiência no Japão?

Zico: Nas áreas públicas, não tinha campo de futebol. Na primeira vez que fui para lá, não tinha onde treinar perto de casa, tinha que correr e treinar em campo de beisebol, podendo levar uma bolada na cabeça. Mas quando saí, já havia mais de dez campos, todo mundo jogando futebol no fim de semana, times e mais times jogando. E, hoje no Japão, o futebol é o esporte mais praticado. Quando saí de lá em 2006, havia seis milhões de praticantes. Foi realmente uma reestruturação muito importante.

Sócrates: Tendo jogado o que você jogou, você nunca teve dificuldade de treinar jogadores com qualidade técnica inferior?

Zico: Não. A dificuldade que eu tinha era fazer o jogador acreditar que eu entendia de futebol, e não que eu só sabia jogar bem. Essa era a minha preocupação quando virei treinador porque havia jogadores que me citavam como ídolos, então eu tinha essa responsabilidade. Eu queria que o jogador acreditasse que aquilo que estava dizendo ia dar certo para ele.

Sócrates: Falando em filosofia, você vai ter que fazer uma declamação. Um texto, um poema…

Zico: Vou te dizer um texto. Foi uma das maiores emoções que eu tive no dia da minha despedida, que a lágrima correu logo de cara. Foi do Armando Nogueira, abri o jornal , fui direto na coluna dele e ele botou lá: A bola é como uma flor que nasce nos pés de Zico com cheiro de gol. Esse eu tenho lá no quadro. Saudades do Armando!