Soldados travam batalha contra o Serviço de Imigração dos Estados Unidos

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Veteranos de guerra exigem mudanças nos benefícios imigratórios para familiares

DA REDAÇÃO – Guadalupe Acosta serviu oito anos no Exército dos Estados Unidos, tempo no qual como soldado foi enviado para a guerra no Afeganistão e outras duas vezes ao Iraque, mas o sacrifício feito pelo país parece não ser recompensado.

Há um ano e três meses casou-se com Liliana Llamas López, uma mulher indocumentada que chegou a este país quando tinha 5 anos de idade.

Ao tentar ajustar o status imigratório de sua esposa, o soldado Guadalupe Acosta descobriu que existe uma política dentro do Serviço de Imigração e Cidadania (USCIS) que exclui os veteranos de guerra de certos benefícios imigratórios para seus familiares.

Trata-se da autoridade discricional, chamada “Parole-in-Place” ou PIP, utilizada pelos oficiais de imigração para conceder um perdão aos cônjuges dos integrantes das Forças Armadas por estar no país ilegalmente.

No entanto, este perdão apenas é concedido aos cônjuges daqueles que se encontram na ativa e não aos veteranos de guerra, portanto Liliana terá de sair do país para poder solucionar sua situação imigratória. “Isto significa que ele ficaria aqui e eu vou para um país que nem conheço, pois toda minha família e minha vida estão aqui, não sei o que faria”, disse angustiada.

O soldado Acosta não quer separar-se sua esposa, porque é ela quem o apoia nas noites de insônia quando ele se lembra dos horrores da guerra. “A única coisa que queremos é que, como veteranos de guerra, tenhamos esta mesma exceção “, reivindicou.

Rodolfo Torrentos, de 31 anos, esteve quatro anos na Marinha dos EUA, está na mesma situação.

Sua esposa Oraly, com quem tem um filho de três anos, é indocumentada e passa pelo mesmo problema de ter que abandonar o país para pedir este perdão que lhe abriria o caminho para obter o green card ou residência permanente. “Se tiver que sair do país, o mais afetado seria meu filho, ele é nascido neste país e, por ser tão pequeno, também teria de sair”, comentou Oraly.

“Creio que tenho o mesmo direito que os soldados na ativa, eu também lutei por este país e coloquei minha vida em risco”, disse Torrentos.
“Ela é minha coluna vertebral e queremos que sejam estendidos os benefícios aos veteranos de guerra, para que eu e meu filho não fiquemos sozinhos”.

Lei do castigo

O caso de Humbertina Carranza é diferente, porque, apesar de sua filha Sandra García ainda estar no Exército e seu filho Marco García ter deixado a Marinha há apenas três semanas, ela não pode ter o perdão por ter outro nível de parentesco, uma vez que deveria ficar fora do país por pelo menos dez anos. “É melhor ficar por lá e morrer lá”, comentou resignada dona Humbertina.

A militar Sandra, de 25 anos, disse que sua mãe tem sido seu apoio por toda a vida. Embora não estivesse de acordo com os filhos alistando-se nas Forças Armadas, sempre lhes deu o respaldo. “Sem seu suporte não teríamos conseguido o que conseguimos “, acrescentou.

Dona Humbertina chegou aos Estados Unidos em 1978, quando tinha 25 anos de idade, para se dedicar ao trabalho e lhes dar um melhor futuro para seus filhos.

Apesar de ter tido possibilidades de ajustar seus papéis na legalização de 1986, disse que, como mãe solteira, estava mais preocupada em cuidar de seus cinco filhos,e também não tinha dinheiro para pagar o processo.

A advogada Jessica Domínguez explicou que estes três casos representam milhares de famílias que estão passando pela mesma situação devido às leis de imigração. “Eles precisam muito do apoio de suas esposas para lidar com o trauma da guerra, pelo serviço prestado ao país, por isto solicitamos ao USCIS que faça uma exceção para as milhares de famílias que se encontram nesta situação”, apelou a advogada.

Nos Estados Unidos, segundo dados da organização America’s Voice, 11% dos membros das Forças Armadas em 2008 eram de origem latina, ou seja, cerca de 150 mil.