Sul da Flórida é destino preferido do brasileiro

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Em 2012 a Flórida recebeu 1.6 milhão de turistas do Brasil e cerca de 3,800 imóveis foram comprados por brasileiros

Heliana DeWeese

Para investir, morar, passear ou fazer compras, a Flórida continua sendo o destino preferido dos latinos. Conhecida como The Sunshine State, a ensolarada Flórida é um convite quase irrecusável para os brasileiros. O ambiente tropical e o clima de verão constante, somados às vantagens dos preços atraentes e da facilidade da infraestrutura americana, conquistaram a preferência dos conterrâneos. Ainda que o destino seja New York ou Orlando, uma paradinha em Miami é quase obrigatória. Aqui pode se dizer que os brasileiros se sentem em casa.

Não surpreende que nos últimos anos o Brasil figure entre os primeiros na lista dos países que mais exportam turistas para essa região. Mais recentemente passou também a gerar investidores para o mercado americano, e o número de brasileiros que integram o clube dos compradores de imóveis só vem aumentado.

Estimativas preliminares divulgadas no mês passado, pelo Departamento de Pesquisas do Visit Florida, apontam que os gastos de turistas no estado bateram o recorde em 2012, superando a soma dos anos anteriores. O aumento é de 6,8 por cento em relação a 2011e os visitantes deixaram por aqui $71.8 bilhões.

As recentes estatísticas do mesmo departamento, revelam também a marcante presença brasileira neste bolo turístico, ao mostrar que cerca de 1 milhão e 600 mil brasileiros visitaram algum lugar da Flórida durante o ano passado, contribuindo para essa arrecadação bilionária.

Mercado imobiliário

“Investir em imóveis em geral é sempre um bom negócio e nos Estados Unidos, especialmente na Flórida, continua sendo bem vantajoso”, afirma o corretor de imóveis, Jonathan Asbell, representante oficial da NAR-National Association of Realtors para o Brasil.

Segundo ele, “no ano passado os estrangeiros constituíram 40 por cento das vendas de imóveis em Miami e 30 por cento das vendas no sul da Flórida. A América Latina responde por 30 por cento desse total e o Brasil representa nove por cento dessas vendas”, destaca Asbell.

Bilíngue, casado com uma baiana e bem familiarizado com a cultura brasileira, o corretor se mostra animado quando o assunto é Brasil. Falar português e conhecer as peculiaridades culturais, automaticamente o aproximaram dos brasileiros para fazer negócios. De acordo com ele, cerca de 20 por cento de sua clientela hoje é composta de brasileiros.

Investimentos e negócios

A reação brasileira tanto nos negócios como no setor imobiliário passou a ser notada com respeito. O número de conterrâneos que se tornaram proprietários de algum imóvel em solo americano vem aumentando consideravelmente.

O corretor aponta que “de acordo com a Divisão de Pesquisas da NAR, a Associação Nacional de Corretores de Imóveis, só na Flórida 3.800 propriedades foram compradas por brasileiros no último ano”. Ainda segundo a NAR, “a tendência do brasileiro é comprar imóveis na faixa entre $200 a $299 mil. Esse patamar é considerado acima da média internacional, cujo preço fica em torno de $194.700”, indica Asbell.

Ele observa que “mesmo com a flutuação do câmbio, somando-se a valorização do imóvel à segurança, o investimento é compensador, principalmente para o comprador que já vive ou pretende viver nos EUA. Com os juros baixos e os preços ainda num bom patamar, a hora de comprar é agora”, aconselha o corretor.

O brasileiro é bem informado

Asbell opina que “o interesse dos brasileiros pelo mercado imobiliário americano é simples de entender e deve-se a uma combinação circunstancial. Enquanto os preços dos imóveis no Brasil dispararam, aqui estão mais atraentes. Por outro lado, a econômica brasileira deu um bom salto e mais investidores apontaram a mira para cá. Tenho sido consultado por brasileiros que tomam o cuidado de conhecer os riscos e as implicações de comprar um imóvel no exterior. O comportamento mostra a maturidade do comprador. Na hora de decidir, o brasileiro procura ficar bem informado sobre o mercado. Hoje ele busca apoio profissional para analisar fatores relevantes como o custo-benefício e o retorno financeiro X risco”, acrescenta. Asbell ressalta ainda, que “os compradores consideram também a estabilidade do investimento. A compra de um imóvel soma ao bem patrimonial familiar, com a vantagem de minimizar os riscos sobre o capital, conclui.
O novo perfil de uma comunidade consumada

O volume imigratório dos brasileiros para os EUA tem apenas três décadas e apesar do aumento gradativo da comunidade nos últimos anos, a presença brasileira até bem pouco tempo foi silenciosa. Uma minoria quase invisível, em um mercado altamente competitivo e diversificado. Os investimentos de empresários brasileiros eram parcimoniosos e a maioria dos negócios era quase que especificamente direcionada para os conterrâneos.

Este perfil mudou. Basta olhar ao redor das regiões que concentram grande parte dos brasileiros, para notar que o perfil da comunidade hoje é outro. Aumentaram significativamente os investimentos e o número de empresários, prestadores de serviços e de profissionais liberais neste pedaço do estado. Sem dúvida, a comunidade brasileira é presença consumada nos EUA, particularmente no sul da Flórida. As famílias que imigraram para cá, há duas ou três décadas, criaram seus filhos, que hoje são quase adultos, cursam universidades americanas e muitos já estão formando suas próprias famílias. Isto significa que a presença brasileira já está chegando à segunda geração.

Fonte de consulta: www.visitflorida.org