Tea Party dá o tom do debate imigratório nos EUA

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Pressionados pelo movimento conservador Tea Party, nenhum dos pré-candidatos republicanos à presidência apoia uma reforma imigratória

Os tempos de “conservadorismo compassivo” e de “pragmatismo” que embalavam o discurso das políticas imigratórias de George W, Bush e Ronald Reagan ficaram para trás. Agora quem dá as cartas são os ultraconservadores do Tea Party, cuja ideologia anti-imigrante tomou de assalto a militância republicana. Os debates entre os pré-candidatos republicanos mais se parecem com concursos para ver quem é o mais durão e radical com relação ao assunto da imigração ilegal.

Pressionados pelo movimento conservador Tea Party, nenhum deles apoia uma reforma imigratória geral e todos atacam o governador do Texas, Rick Perry, por ter promulgado uma lei no seu estado em 2010 que garante o mesmo valor das matrículas nas universidades para estudantes indocumentados que o aplicado para residentes legais.

Essa postura, que é percebida pela comunidade imigrante como uma perseguição aos latinos, pode prejudicar os republicanos, que certamente vão precisar do apoio desse grupo para chegar à Casa Branca em 2012. Calcula-se que o futuro candidato republicano precisará de pelo menos 40% do eleitorado hispânico e latino em nível nacional para ganhar as eleições.

A verdade desses números está no fracasso da candidatura do senador John McCain, quem a princípio sempre foi favorável à reforma, mas depois voltou-se contra. Em 2008, McCain conseguiu somente 31% do voto latino, contra 67% para Barack Obama, pontos fundamentais para levar o democrata à presidência.

O apoio de Rick Perry ao “Dream Act” estadual, que aliás não confere a ninguém um status imigratório, traz à memória o “conservadorismo compassivo” que levou Bush à Casa Branca em 2005, mas que também foi esquecido por pressões da ala mais conservadora do seu partido.

O partido republicano não vai contar com os votos dos latinos, que segundo as pesquisas apoiam uma reforma, se continuar com seu discurso mais à direita a fim de agradar aos radicais do Tea Party.

Num debate há cerca de duas semanas em Orlando (FL), Perry afirmou que os jovens indocumentados não têm culpa porque seus pais os trouxeram de forma ilegal para os EUA, e que opor-se a lhes dar oportunidade de educação é como “não ter coração.”

Para os seus rivais, entretanto, Perry carece da pureza ideológica necessária ao partido e por isso não merece ser avalizado como seu candidato para as eleições do próximo ano.

Mas o Tea Party também não se entusiasma com as candidaturas do ex-governador de Massachusetts, Mitt Romney, do empresário Herman Cain, ou da deputada por Minnesota Michele Bachmann.

Romney apoiou em 2005 a reforma que Bush queria – e não conseguiu aprovar -, a qual então não considerava como uma anistia. Agora, ele considera e apoia a construção de um muro ao longo de toda a fronteira com o México.

Já faz algum tempo que os republicanos vêm adotando o lema de reforço da fronteira e se negam a debater soluções viáveis para a população indocumentada nos Estados Unidos. No entanto, ignoram as estatísticas oficiais, que vêm apontando uma redução drástica no número de travessias ilegais pela fronteira desde 2008, e uma melhora significativa na segurança da região.

Também ignoram o dramático incremento em recursos humanos e tecnológicos para a vigilância da fronteira, um esforço iniciado por Bush em 2002 e intesificado pelo governo de Obama.

Editoriais recente de jornais influentes, como The Wall Street Journal, Washington Post e The New York Times têm advertido sobre as consequências que podem surgir da aparente hostilidade republicana com relação à reforma imigratória, não apenas nas urnas, como também na economia.

Frank Sharry, diretor-excutivo do grupo pró-reforma “America’s Voice”, resumiu assim o assunto: “Estamos assistindo a um suicídio político em câmara lenta, de um partido decidido a satisfazer à extrema direita em detrimento da maioria dos americanos.”