Tiroteio em base militar do Texas na quarta-feira deixa três mortos

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Soldado abre fogo em Fort Hood, mata três pessoas, fere 16 e comete suicídio

Tiroteio em base militar do Texas

DA REDAÇÃO COM REUTERS — Um soldado americano com problemas mentais matou três pessoas e feriu pelo menos dezesseis antes de cometer suicídio na quarta-feira (2), numa base do Exército em Fort Hood, no Texas, mesmo local onde aconteceu um tiroteio semelhante em 2009.

O soldado, que estava sob tratamento para depressão e ansiedade, abriu fogo dentro de dois prédios da base até ser confrontado com a polícia militar, informou o comandante de Fort Hood, Mark Milley. Antes que ele pudesse ser dominado pela polícia, o homem atirou na própria cabeça com uma pistola calibre .45.

“O atirador morreu com um tiro da própria pistola,” disse Milley à imprensa. “Até agora não há indicações de que o caso estaja relacionado com terrorismo.”

Autoridades disseram que informações preliminares revelaram o atirador como sendo Ivan Lopez, mas Milley não quis identificar o autor dos disparos, que é casado, antes da família ser informada sobre a ocorrência.

O atirador havia servido por quatro meses no Iraque em 2011, disse Milley, e passava por tratamento contra distúrbio pós-traumático.

O hospital Scott & White em Temple, Texas, para onde alguns dos feridos foram levados, informou que nove pacientes deram entrada no setor de tratamento intensivo, três em estado crítico.

O presidente Barack Obama disse que estava “desolado” com este novo tiroteio na Base Militar de Fort Hood.

“Vamos até o fim para descobrir o que realmente aconteceu,” disse Obama. “Estamos desolados com o fato de que uma coisa dessas tenha acontecido novamente.”

O tiroteio, o terceiro incidente deste tipo em bases militares nos Estados Unidos em seis meses, começou por volta das 4pm, hora local, e colocou Forth Hood em imediata prontidão.

Milley disse que o atirador entrou em um prédio e abriu fogo. Em seguida, foi para um veículo e voltou a atirar de lá. Dirigiu-se então para outro prédio e continuou o tiroteio, até que foi enfrentado pela polícia militar de Fort Hood.

Quando viu-se em confronto com uma policial militar feminina, matou-se com a arma semi-automática no estacionamento.

“Ele aproximou-se dela até uma distância de 20 pés. Colocou as mãos para cima, mas depois tirou da jaqueta a pistola e atirou na própria cabeça,” contou Milley.

Um dos prédios atacados abriga serviços médicos e outro, próximo, serve para a administração do batalhão de transporte. Todos os mortos e feridos eram militares.

Logo que começou o tiroteio, a polícia isolou a base e veículos de emergência correram para o local. Helicópteros rondaram a base e oficiais correram de prédio em prédio em busca do atirador.

“É uma tragédia terrível. Houve baixas, com gente morta e feridos,” comentou o secretário de Defesa, Chuck Hagel.

VIOLÊNCIA QUE SE REPETE

A violência de quarta-feira repete o massacre de 2009, quando um ex-psiquiatra do Exército atirou e matou 13 pessoas, ferindo outras 32, num tiroteio na mesma Fort Hood, base onde os soldados são preparados para serevir no Iraque e no Afeganistão.

O atirador, major Nidal Hasan, gritava “Allahu Akbar” (Deus é grande, em árabe) durante o ataque, e depois soube-se que ele queria tornar-se um mártir. Hasan foi preso e pode ser condenado à morte por injeção letal.

Em fevereiro, o Exército demoliu o prédio onde Hasan começou o seu massacre. No lugar serão plantadas árvores e um memorial aos mortos sera erguido, informou o centro de comunicações da base.

Em setembro do ano passado, um atirador abriu fogo na Base Naval de Washingnton, matando 12 pessoas e ferindo outras quatro antes de ser abatido pela polícia. No mês passado, um cidadão abateu um marinheiro a bordo de um navio na Base Naval de Norfolk, na Virgínia.

O secretário Hagel, decepcionado com os esforços do Exército até agora frustrados de manter suas instalações livres de atiradores, disse que o último incidente em Fort Hood indica que ainda há problemas que devem ser superados. Essa tragédia mostra que alguma coisa não está funcionando, e que tem de ser consertada.

No mês passado, Hagel determinou medidas para aumentar a segurança no Pentágono depois que investigações sobre o tiroteio na Base Naval revelaram que ele poderia ter sido evitado se o atirador com problemas mentais tivesse sido devidamente tratado.