Toco do Pandeiro

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Malabarista do samba

Antonio Tozzi

Vou por onde o samba me levar. Esta frase bem que poderia ser a estrofe de algum samba brasileiro. Entretanto representa a história de vida do carioca Carlos Silva. Mas, afinal, quem é Carlos Silva? Certamente a comunidade brasileira o conhece por seu nome artístico: Toco do Pandeiro.

O artista veio do Rio de Janeiro há 11 anos com um pandeiro na bagagem e muitos sonhos na cabeça. Contratado para participar do show do Tropicana – uma das mais conhecidas casas de espetáculos brasileiros -, Toco do Pandeiro logo conquistou a platéia com sua ginga e seu malabarismo com o pandeiro. Ele desenvolveu esta arte sozinho, brincando com o instrumento desde os sete anos de idade, nas rodas de samba cariocas.

Nascido e criado no berço de bambas, o menino também tinha veia de compositor. No entanto, ele tinha medo de mostrar suas composições e ser ridicularizado. Afinal, quando criança e adolescente, conviveu com monstros sagrados do samba como Nelson Sargento, Gasolina e Cartola, que era tio de um cunhado de Toco do Pandeiro. “Diante de tantas ‘feras’ tinha medo de mostrar meu trabalho”, comentou o autor de sambas, que possui mais de cem músicas feitas. Ele compõe letra e música.

Agora, pretende mostrar seu trabalho e vem preparando um disco com suas composições. Tarefa facilitada por ter seu próprio grupo, o Samba RJ, juntamente com seu filho, um sobrinho e um amigo. “Eu e meu filho Tiago é que cantamos a maioria das músicas”, afirmou Toco.

Artista renomado – Como malabarista do pandeiro, seu trabalho foi sempre valorizado. Toco brilhava em shows como o Oba Oba, do Sargentelli, Joãozinho Trinta, Ivon Cury e Gasolina, na Urca. Graças à sua habilidade, conheceu bastante países: Espanha, Itália, Argentina, México, Canadá, entre outros, e Estados Unidos, onde já se tornou residente legal.

No sul da Flórida, Toco do Pandeiro construiu uma carreira sólida. Integrou o grupo do Clube do Choro, onde aprendeu até mesmo a tocar cavaquinho. “Como não havia quem tocasse, eu mesmo me propus a tocar e me juntei à moçada”, esclareceu o sambista, que também aprendeu sozinho a tocar e a fazer malabarismo com o pandeiro. Ele admite que isto foi bom porque participava de rodas onde músicos tocavam chorinho, um ritmo que lhe agrada bastante.

Curso prático de pandeiro – Embora saiba tocar cavaquinho, o instrumento de seu coração é mesmo o pandeiro, como diz seu próprio nome artístico. Segundo o instrumentista, é possível tocar qualquer ritmo com o pandeiro e não apenas samba, como podem pensar alguns. “O pandeiro é um instrumento eclético e sua sonoridade adapta-se a qualquer tipo de ritmo, seja salsa, rock, hip hop. No caso do chorinho, por exemplo, o melhor é usar pandeiro com couro, enquanto para o samba mais forte recomenda-se o uso de náilon”, explica o especialista.

Toco do Pandeiro quer difundir seu conhecimento a respeito do pandeiro. Para isso, desenvolveu um curso prático de pandeiro no qual mostra como as pessoas podem aprender a tocar o instrumento. Ele acabou de escrever um livro onde orienta detalhadamente os movimentos que devem ser feitos para as pessoas aprenderem a tocar o pandeiro. “Muita gente pensa que é preciso usar a parte da mão perto do pulso para tocar. Através do meu método aprende-se que o segredo para se tocar o instrumento são os dedos, que funcionam como notas musicais”, afirma.

Além do livro, o método desenvolvido por Toco do Pandeiro inclui um CD e um DVD, o único item que ainda não está pronto. Seu método será lançado simultaneamente em inglês e em português. “O pandeiro é um instrumento completo e as pessoas ficarão surpresas como é fácil tocar um pandeiro”, garante o autor do curso prático.

Sambista biomédico – Demonstrando sua incrível versatilidade, Toco do Pandeiro é também Carlos Silva na Nabi Biopharmaceuticals, multinacional da área de saúde sediada em Boca Raton. Lá, ele trabalha na área de manutenção, mas já obteve bolsa de estudos da empresa para fazer um curso na área de ultrassonografia ou de técnico de Raio X. Seu lado artístico também foi destacado pela empresa, onde ele foi escolhido como um dos poucos funcionários da empresa em todo o mundo a ilustrar o Relatório Anual de 2004 da Nabi Biopharmaceuticals.

A exemplo dos heróis das histórias em quadrinhos, ele consegue administrar bem esta dupla identidade. Embora cumpra suas funções na companhia com dedicação como Carlos Silva, ele nunca deixa de vestir-se com roupas brilhantes para reviver o Toco do Pandeiro nos palcos de todo o mundo. “Consigo fazer isto, ao administrar meus dias de trabalho aqui na companhia e sempre peço com antecedência para me dispensar nos dias em que tenho de viajar para fazer shows”, disse o artista.

Agenda lotada – E Toco do Pandeiro possui uma agenda bastante movimentada com o Samba RJ, onde toca banjo e cavaquinhos. Às sextas-feiras, o grupo toca no Bar do Tião, em Miami (ao lado do Camila’s); aos sábados, eles se apresentam no Cozinha Mineira, e aos domingos, jornada dupla: das 4 às 8 horas da tarde, o grupo está no Bom Bar, e logo em seguida eles mostram sua arte no Café Mineiro.

Como se não bastasse, eles ainda vão viajar tocando no final do ano.

Dia 28 de dezembro, os integrantes do Samba RJ juntam-se a Paulo Gualano para apresentar-se no Haiti. Na volta, eles já embarcam direto, do aeroporto mesmo, para South Dakota, onde vão animar o réveillon dos americanos, na churrascaria brasileira cuja direção artística está a cargo de Francisco Italiano.

Para 2006, Todo do Pandeiro tem vários planos. Além de colocar no mercado seu Curso Prático de Pandeiro, pretende gravar um disco com suas músicas. Depois de fazer shows que abriram as apresentações de Dudu Nobre e Jorge Benjor na Flórida, Toco do Pandeiro pretende ser um artista de primeira grandeza. Com a força de vontade e talento dele, quem pode duvidar que ele não acaba mesmo atingindo o sucesso. Merecidamente!