Trabalho de pesquisa ambiental visa conservação do Pantanal brasileiro

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Objetivo é evitar que a área de reserva natural de Mato Grosso do Sul tenha o mesmo destino dos Everglades no sul da Flórida

Joselina Reis

O Pantanal sul-matogrossense pode receber até U$ 4 milhões em investimentos do governo americano, através do National Science Foundation (NSF), para compra de equipamento e pesquisa sobre a qualidade da água e conservação da fauna e flora. O projeto é uma iniciativa da Florida Atlantic University (FAU) com apoio da Embrapa Pantanal (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), em Corumbá (MS).
A proposta visa não permitir que o Pantanal se torne uma região devastada como os Everglades, na Flórida, e que a região brasileira seja uma fonte de modelo para futuros projetos de restauração da flora nos Everglades.

Atualmente, mais de 50% da área nativa da Flórida está ocupada por prédios e asfalto e a outra metade é usada para lavoura. O pouco que sobrou da vegetação natural está em processo de recuperação e preservação, o que deve durar mais 20 anos. Nós precisamos do Pantanal do jeito que ele é para servir como exemplo de como seriam os Everglades, se tivessem sido preservados, esclarece o pesquisador Scott Markwith, da FAU, em Boca Raton (FL).

Ele explica que o projeto prevê a compra de estações de monitoramento da água e intercâmbio de dados entre o Pantanal e o Plano de Restauração dos Everglades, na Flórida. A área de vegetação nativa na Flórida tem 250 dessas estações funcionando ao mesmo tempo e enviando dados online para laboratórios e pesquisadores. Por outro lado, o Pantanal em Mato Grosso do Sul, que tem uma área 10 vezes superior ao que sobrou dos Everglades, tem apenas 35.

Pesquisadores pedem mais estações de monitoramento no Pantanal

Segundo o pesquisador da Embrapa Pantanal, Carlos Padovani, o CPRM (Instituto Geológico do Brasil) monitora 22 estações de medição do nível dos rios na bacia do Pantanal e emite boletins semanais de alerta de elevação e descida do nível do rio Paraguai para outras sete estações, enquanto a Marinha do Brasil monitora seis estações para aviso aos navegantes. Não tenho informação de quantas estações de dados meteorológicos existem na bacia, mas a quantidade de estações fluviométricas (rios) e pluviométricas (chuva), está muito abaixo do que seria ideal para uma bacia do tamanho da bacia do alto rio Paraguai que tem apenas no território brasileiro aproximadamente 360 mil km2, explica.

A instalação de mais estações no Pantanal é vista como de fundamental importância para entender as mudanças na região, evitando assim que o processo de degradação chegue ao patamar dos Everglades. Sim, estamos no caminho dos Everglades, mas apenas no início. Em termos de remoção de vegetação nativa, 85% do Pantanal continua em bom estágio de conservação, enquanto que no planalto em torno do Pantanal esse percentual já está em apenas 40%, revela.

Com mais recursos financeiros e pesquisa no Pantanal, ressalta Padovani, será possível recomendar o uso correto do solo e da água para aquela região. Os bons e os maus exemplos dos Everglades podem ajudar nisso, diz.

Scott Markwith, da FAU, lembra que a proposta de projeto será apresentada em janeiro de 2013 e prevê investimentos no período de cinco anos no Pantanal sul-matogrossense. Ele ressaltou o trabalho das autoridades e pesquisadores brasileiros em proteger o Pantanal.
Aqui, já é tarde, estamos pagando o preço alto pela destruição dos Everglades, lamenta.