Trabalho voluntário de solidariedade leva jovem mineira à regiões pobres da África

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Estudante brasileira Izadora Castro passou seis meses trabalhando na Zâmbia

Joselina Reis

Izadora Castro com crianças da Zâmbia, um dos países mais pobres da África
Izadora Castro com crianças da Zâmbia, um dos países mais pobres da África

Deixar o conforto de sua casa em Belo Horizonte (MG) e partir rumo a uma aventura no interior de Zâmbia, um dos países mais pobres da África, não pode ser definido como projeto de vida. Mas, para a jovem brasileira Izadora Casto, de 20 anos, foi uma transformação na sua vida. “Percebi que não precisamos de muito para ser felizes e poder ajudar a melhorar a vida das pessoas, fazer a vida deles melhor”, disse ela, que guarda as lembranças da viagem como troféu de conquistas.

Izadora integrou um grupo de jovens voluntários que pagam até $4900 para uma experiência de nove a 18 meses que inclui treinamento nos EUA e um período de trabalho duro em áreas pobres. O alvo do projeto social desenvolvido pela OWC (ONG sediada em Massachusetts) são países da África e América do Sul, incluindo o sertão brasileiro.

A brasileira conta que a inspiração para participar da aventura veio da irmã mais velha, que fez o mesmo intercâmbio em Angola. “As histórias que ela contava e aquelas fotos me enchiam os olhos, e desde então eu sabia que meus sonhos não caberiam em BH”, conta, animada com a transformação que proporcionou a um grupo de crianças. Izadora foi a professora que ensinou as primeiras letras e números.

A língua oficial do país é o inglês. A Zâmbia tem 68% de sua população abaixo da linha da pobreza. Na área rural essa porcentagem chega a 78%.

Na Zâmbia, Izadora morava no distrito de Chibombo. Sua tarefa era capacitar os professores, mostrando como as aulas de pré-escola poderiam utilizar objetos lúdicos para ensinar. “Eu fiz para as pré-escolas alfabetos para colocar nas paredes, bem coloridos e com desenhos, números e brinquedos como bolas, quebra-cabeças e brinquedos de montar”, explica a brasileira. “Eu dava aula de Higiene também. Uma das coisas que ensinei foi a importância de lavar as mãos após ir ao banheiro”.

Outro publico alvo de suas aulas eram as mulheres. “Para um grupo de mulheres eu ensinei sobre mortalidade infantil. Eu visitava 10 comunidades com um pôster com fotos explicando sobre as causas mais comuns da mortalidade infantil”, lembra.

Izadora ficou seis meses fazendo trabalhos voluntários enquanto morava em um escola para crianças órfãs, cujos pais morreram por conta de HIV/AIDS.

Depois de tanto trabalho e viver meses privada da família, de comodidades como uma boa cama, chuveiro e internet, ela garante que não se arrepende. “Trabalhei muito no Brasil para conseguir o dinheiro para pagar o intercambio, mas nada importava. Eu queria ir para a África”, afirma ela, que passou seis meses na escola da OWC nos EUA.

Nesta escola, os jovens passam por um treinamento diário, desde como fazer um banheiro improvisado, forno a lenha, cozinhar, esportes e construção civil. “Isso foi uma experiência fantástica, pois eu consegui melhorar meu inglês conversando com americanos, e conheci pessoas maravilhosas que me ajudaram bastante”, lembra.

Agora que voltou da Zâmbia, a mineira planeja um livro de fotos. “Quero uma coisa duradoura, em que todos possam ver a realidade pelos meus olhos”, enfatiza. Ao retornar do intercâmbio, cada estudante precisa apresentar um projeto de conclusão para receber seu certificado de instrutor.

A brasileira garante que não quer voltar ao Brasil para a vida simples e confortável, enquanto outras milhões de pessoas no mundo precisam de ajuda. “Estou muito interessada em continuar na carreira humanitária, e a instituição me ofereceu uma oportunidade de poder trabalhar com alguns dos projetos ao redor do mundo. Com essa oportunidade da ONG eu posso até voltar para a Zâmbia, e trabalhar junto na melhoria das comunidades, podendo compartilhar o que aprendi aqui. É isso que eu quero pra mim, poder viver viajando e ajudando ao mesmo tempo”, finalizou.