Tres prêmios Nobel da Paz

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Maria Grosso*

Tres prêmios Nobel da Paz

Em 2008, Barack Obama assumiu seu lugar como o 44º presidente dos Estados Unidos, posto alcançado em grande parte devido aos milhões de votos latinos que responderam com esperança à promessa de uma reforma imigratória. Um ano depois, recebeu o Prêmio Nobel da Paz pelos “esforços extraordinários para fortalecer a diplomacia internacional e a cooperação entre os povos”, segundo o Comitê do Nobel da Noruega. Nesse mesmo ano, Malaia Yousafzai começou a escrever uma série de reportagens apócrifas para a BBC sobre as condições de vida no vale Swat, no Paquistão.

Em 2012, Obama foi reeleito presidente, reafirmando seu compromisso de fazer uma reforma imigratória (que com fé há de ser honrado) em seu segundo mandato. No mesmo ano, Malala foi atacada pelos Talibãs, acontecimento que catalisou a formação e o estabelecimento de Yousafzai como ativista pelos direitos humanos no mundo.

Neste ano de 2014, foi declarada uma crise humanitária, depois que cerca de 60 mil menores desacompanhados cruzaram a ilegalmente a fronteira dos Estados Unidos. Há duas semanas, Yousafzai foi nomeada co-ganhadora do Nobel da Paz pelo seu trabalho “em luta contra a opressão às crianças e jovens e para estender o direito à educação a todas as crianças”, de acordo com o comitê do prêmio norueguês.

O desenrolar dos acontecimentos nas vidas dessas duas personalidades tão influentes serve para ilustrar o verdadeiro propósito do Prêmio Nobel, como plataforma que exibe o maior problema que hoje o mundo enfrenta. Os dois laureados oferecem soluções concretas e sensatas para ele.

A crise migratória relacionada aos menores não acompanhados pode ser interpretada como o maior problema que o mundo enfrenta agora, já que exemplifica o aumento da instabilidade sociopolítica na América Central, que vem afetando gerações de criança imigrantes, das quais o mundo vai depender no futuro próximo. O papel do presidente Obama como mediador diplomático, e as campanhas conscientizadoras sobre os direitos humanos de Malaia, mostram que a solução dependerá da nossa capacidade de eleger líderes que personificam e apoiam esses princípios.

Exercer essa vontade através do voto pelo bem-estar do nosso futuro no dia 4 de novembro também será um ato de apoio à ideia de que alguma das crianças imigrantes possa um dia receber também um Prêmio Nobel da Paz, ou de que uma menina possa ser, no futuro, presidente dos Estados Unidos.