Troca de sargento americano preso no Afeganistão por terroristas causa polêmica

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Sargento Bowe Bergdahl foi trocado por cinco militantes do grupo presos na base militar americana de Guantanamo

Bowe Bergdahl

DA REDAÇÃO COM REUTERS E TERRA – Desde a libertação do sargento americano Bowe Bergdahl no domingo (1º de junho) que o presidente Barack Obama vendo sendo alvo de duras críticas da oposição nos EUA e até pelo presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, que disse ter se sentido traído pelo governo americano. Os governo fez um acordo secreto com o Taliban para liberar o americano, refém do grupo radical islâmico há cinco anos.

A entrega do americano foi feita no leste do Afeganistão. Membros do Taliban trocaram Bowe por cinco presos da base americana de Guantanamo (Cuba), uma conquista que os críticos consideram “significativa” para os insurgentes.

Bergdahl foi levado para um hospital na Alemanha, e em breve deve ser transferido para uma base militar no Texas. Uma festa estava sendo planejada para recepcioná-lo em Hailey, Idaho, sua cidade natal, para o dia 28 de junho (data prevista da sua chegada), mais foi cancelada devido aos protestos de parte da população contrária à liberação dos militantes do Taliban presos. Bowe estaria também sendo acusado de deserção por alguns dos seus companheiros no Exército.

O sargento foi libertado após cinco anos de cativeiro. Os cinco presos em Guantánamo foram libertados no Qatar, país árabe do Golfo que intermediou as negociações para a troca. A libertação dos cinco homens foi condicionada a garantias do governo do Qatar, onde eles ficarão por um ano e serão monitorados pelos EUA. Os cinco estavam entre os mais importantes e perigosos afegãos detidos em Guantanamo.

Ao mesmo tempo que Bowe era libertado, exército americano deu início a uma investigação sobre o histórico militar do sargento. O Pentágono descobriu que em 2010 Bergdahl teria se afastado para longe de sua unidade antes de ser capturado pelos extremistas. Os membros da unidade de Bergdahl e oficiais teriam dito que sua decisão de deixar a base desarmado colocou os companheiros em perigo e que alguns foram mortos em missões que incluíram as buscas por ele.

Quem não ficou nada feliz com a troca foi o presidente do Afeganistão, Hamid Karzai. Ele acusou os Estados Unidos de agirem sorrateiramente e “pelas costas”. “Ele ainda está se perguntando como isso aconteceu sem seu conhecimento e como pode ter sido tão bem sucedido, quando nós mesmo tentamos acordos com o Taliban, mas sem sucesso”, disse um representante do governo afegão.
Karzai tem suspendido as negociações de paz com o grupo extermista islâmico Taliban. O grupo comandou o país com mão de ferro de 1996 a 2001, e tem travado uma batalha sangrenta com as forças militares americanas desde a chegada dos EUA àquele país.

O Congresso americano também não gostou da troca. Parlamentares da oposição republicana acusam o presidente de não seguir as regras em casos como esse, e de por em risco a segurança do país ao libertar terroristas considerados perigosos. Obama disse na quinta-feira (5) que não estava arrependido de trazer para casa um militar que passou cinco anos nas mãos de terroristas.