Histórico

TV Record atua em negociação de seqüestro de empresário

Empresário do ramo da construção ficou quase um mês preos em cativeiro, numa favela da capital paulista

Quando o empresário José Fortes Reina, de 57 anos, ouviu os seqüestradores gritando “sujou, a casa caiu”, respirou aliviado. Pensava que havia chegado ao fim o pesadelo de ficar quase 30 dias em cativeiro. Desidratado e com a pressão alta, logo depois Reina ouviu o tiroteio entre a Polícia Militar e os criminosos. No confronto, um bandido foi baleado no rosto e morreu ao despencar da laje do sobrado onde ele estava, na Favela da Vila Clara, em Americanópolis, zona sul da capital paulista. Mas a vítima ainda teria de esperar longas seis horas de negociação para ser libertada, sem ferimentos.

Reina foi seqüestrado na manhã de 18 de julho, no caminho para a sua construtora, em São Bernardo do Campo, Grande São Paulo. Ele dirigia na Rua Sebastião Barbosa de Lima quando um carro fechou a passagem. Os seqüestradores armados o obrigaram a entrar no veículo. Ele foi levado ao sobrado, na Favela da Vila Clara. “Começou aqui e acabou aqui”, disse nesta quarta-feira (16), abalado, à equipe da Rede Record, ao ser libertado.

As negociações com os criminosos foram tensas. Após o tiroteio, que acabou com um bandido morto, os seqüestradores temiam ser mortos e exigiram a presença de uma emissora de televisão para libertar o empresário. A PM, então, ligou para a Record. “Chegamos às 6h30 perto do cativeiro num patrulhamento de rotina. Fomos recebidos a balas. Havia cinco bandidos. Dois fugiram, um foi morto e dois seguiram no local. Quando descobrimos que no sobrado estava uma vítima de seqüestro, pedimos apoio”, disse o sargento da Força Tática do 3º Batalhão Denilson Machado.

Mais de 30 viaturas da Polícia Militar e policiais do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate), Grupo de Operações Especiais da Polícia Civil (GOE) e Divisão Anti-Seqüestro (DAS) fizeram cerco na favela. A operação ainda contou com o helicóptero da PM.

Às 10h30, o delegado divisionário da DAS, Antônio de Olim, comandou as negociações com dois seqüestradores, Antônio Correia da Silva, 26, e um menor de 17. “Liberei a entrada da imprensa e deixei eles ligarem para seus advogados como técnica de negociação. Eles deram a palavra que iriam libertar a vítima em troca das exigências e da integridade física deles”, explicou o delegado. Os bandidos queriam que a emissora transmitisse ao vivo a negociação. Mas o repórter disse que não havia sinal para a transmissão.

Só às 12h06, Correia e o menor decidiram libertar Reina. “É um grande alívio. Fui bem tratado. Pode avisar minha família que está tudo bem”, disse, com os olhos cheios d’água.

Em seguida, o empresário foi levado ao Hospital Nossa Senhora, no Jabaquara, zona sul paulista, onde recebeu soro. Ele deixou o hospital às 14h30, acompanhado dos parentes. Contou à polícia que passou por dois cativeiros. Ficava a maior parte do tempo deitado em um colchão, onde recebia alimentação.

Os seqüestradores exigiram da família do empresário R$ 4 milhões como pagamento de resgate, que não foram pagos. Para a polícia, a quadrilha é articulada e pode ser formada por mais de dez homens, entre líderes e olheiros – menores pagos para vigiar a vítima.

O sobrado escolhido como cativeiro fica em um beco de difícil acesso nas entranhas da Favela da Vila Clara, em Americanópolis, perto do Jabaquara, zona sul de São Paulo. “Aqui é o local propício para um cativeiro, dominado por traficantes. Por isso, os PMs que patrulhavam o local e foram recebidos a tiros logo perceberam que se tratava de um seqüestro”, explicou o sargento Denilson Machado, que trabalha na área.

Senha – O advogado dos acusados contou que, quando a polícia chegou ao sobrado, os bandidos perguntaram: “Qual é o salve?”. Queriam saber qual era a senha para abrir a porta do cativeiro. Como os policiais não responderam, os bandidos suspeitaram que haviam sido descobertos

A polícia apreendeu uma pistola, um revólver, uma faca, um carregador de metralhadora e oito bananas de dinamite. A polícia suspeita que poderiam ser usadas em ataques. “Nego que eles sejam do PCC”, afirmou o advogado Jefferson Badan.

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