Um grupo de ativistas pró-imigrantes dos Estados Unidos convocou um boicote nacional no dia 1º de maio

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Um grupo de ativistas pró-imigrantes dos Estados Unidos convocou um boicote nacional no dia 1º de maio, em protesto contra as recentes operações e deportações de imigrantes ilegais. Líderes do Movimento 1º de Maio pediram que, no “Grande Boicote Americano, Segunda Parte”, os imigrantes faltem aos trabalhos, escolas e deixem de freqüentar os shoppings, como forma de pressionar a favor de uma reforma imigratória integral. A mobilização nacional, que equivale a um “dia sem imigrantes”, coincidirá com a data em que é comemorado o Dia Internacional do Trabalho.

O objetivo do protesto é ressaltar as contribuições da comunidade imigrante à economia e ao tecido social e cultural dos Estados Unidos. Nesta data, acontecerão manifestações em todo o país em centros urbanos com alta concentração de imigrantes, como Los Angeles e San Francisco (Califórnia), Chicago (Illinois), Boston (Massachusetts), Nova York, San Antonio e Houston (Texas), Seattle (Washington), Phoenix (Arizona), Detroit (Michigan) e no estado de Rhode Island. Em comunicado, o grupo disse ainda que o boicote também é uma resposta à “crescente hostilidade” aos trabalhadores imigrantes, e “dá continuidade aos protestos em massa do ano passado” contra medidas antiimigrantes.

As manifestações “demonstrarão a crescente união dos trabalhadores estrangeiros nos EUA contra um inimigo comum: o Governo americano”, acrescentou o grupo. Os protestos do ano passado, que trouxe à tona o problema da imigração ilegal, tinham como foco principalmente a legislação de caráter policial, de autoria do republicano James Sensenbrenner. A medida, que foi aprovada apenas na Câmara de Representantes, então sob controle republicano, transformava os imigrantes ilegais em criminosos e penalizava aqueles que os contratassem ou oferecessem serviços sociais. Os ativistas querem repetir o sucesso da convocação das manifestações do ano passado, que, embora não tenham conseguido a aprovação da reforma migratória, chamaram a atenção dos legisladores para a necessidade de corrigir o problema dos imigrantes que vivem e trabalham à margem do sistema legal dos EUA. Os imigrantes hispânicos são uma importante fonte de mão-de-obra barata ao setor agrícola, aos hotéis e às companhias de limpeza, construção e jardinagem, entre outros.

Estima-se que existam 12 milhões de imigrantes clandestinos nos EUA, milhares deles vítimas de grandes operações nos últimos meses. O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, em viagem a cinco países da América Latina, disse que o Congresso deve aprovar uma reforma imigratória integral que permita, entre outros, um programa de trabalhadores temporários, para que os imigrantes não tomem os postos de trabalho dos americanos. Os democratas, que agora controlam o Congresso, reiteraram esta semana que Bush deve investir mais capital político no assunto e pressionar os republicanos que continuam opondo-se à reforma imigratória.

O senador democrata Edward Kennedy, em junto com outros líderes dos dois partidos, deve apresentar nos próximos dias uma nova versão da reforma imigratória que ficou suspensa no ano passado, devido aos conflitos entre as formações políticas. A idéia dos democratas é que a reforma seja aprovada antes do recesso legislativo de 3 de agosto.•