Venezuela nacionaliza petróleo; Bolívia toma controle total nesta 4ª

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O governo venezuelano do presidente Hugo Chávez assumiu nesta terça-feira (1º) os controles acionário e operacional dos poços de petróleo da faixa do rio Orinoco, onde estaria a maior reserva mundial de cru.

A medida é parte de um extenso plano de nacionalizações iniciado em janeiro pelo presidente, após sua reeleição em dezembro, que inclui também os setores de telecomunicações e energia, além da invasão de terras, do controle de frigoríficos e a regulamentação do serviço médico privado.

Após a Venezuela, será a vez da vizinha Bolívia, a partir das 7h (Brasília) desta quarta-feira (2), assumir o controle integral da produção interna e da comercialização de petróleo e gás, com a entrada em vigor de novos contratos com as multinacionais do setor. “Amanhã será uma data histórica”, disse o presidente da estatal boliviana YPFB, Guillermo Aruquipa.

Ao falar à rádio Erbol, ele afirmou que para consolidar a nacionalização petrolífera, decretada há um ano, técnicos da empresa estatal já se dirigiram a todos os campos produtores e instalações de armazenamento e bombeamento para marcar a “zero hora” do novo regime.

Em 1º de maio do ano passado, o presidente da Bolívia, Evo Morales, esquerdista aliado de Chávez, surpreendeu e deflagrou os esforços para nacionalizações ao ordenar que soldados cercassem campos de gás, acelerando os esforços da América Latina para reclamar seus recursos naturais.

Venezuela

Na segunda-feira, Chávez, vestido de vermelho, disse para milhares de trabalhadores que “o investimento privado nunca mais voltará”. “Estamos acabando com a era dos investimentos privados e enterrando-a nas reservas de petróleo de Orinoco”, afirmou o presidente.

Hoje, em ato transmitido ao vivo em cadeia nacional pelos canais de televisão venezuelana, houve com uma troca simbólica de equipamentos dos empregados, que até ontem trabalhavam para empresas privadas. Eles passaram a usar capacetes vermelhos, a cor da PDVSA e do “chavismo”, em lugar dos azuis.

Semana passada, dez das 13 empresas que operam em explorações de risco a ganho compartilhado na Faixa do Orinoco, 55.300 km2 a sudeste da Venezuela (duas vezes o tamanho de Israel), e no Golfo de Paria, assinaram memorandos de entendimento com o governo venezuelano.

Assim, a partir de hoje, a companhia estatal de petróleo PDVSA controlará no mínimo 60% das ações de quatro empresas mistas formadas por multinacionais: a francesa Total, a norueguesa Statoil (Sincor), as americanas Chevron Texaco (Ameriven) e Exxon Móbil, British Petroleum e a alemã Veba Oel (Cerro Negro).

A americana Conoco Philips (40% na Ameriven e 50,1% na Petrozuata) manteve até a última hora as complexas negociações e até o prazo limite não havia assinado acordo. A italiana ENI e a Petrocanadá também não assinaram nada, esta última por “problemas técnicos”.

A promotoria intervirá nos casos das empresas que se negarem a firmar acordos. As negociações irão até 26 de agosto, quando o Congresso, sob controle total do partido governista, aprovará os acordos.

O ministro da Energia, Rafael Ramírez, disse no fim de semana que as empresas da Faixa, estimadas em mais de US$ 25 bilhões, vão incorporar “a batalha de todas as empresas do Estados, empenhados em construir o socialismo do século 21”.

A polêmica ocorre ainda porque Ramirez disse que pode não haver compensações em alguns casos e que a Venezuela só considerará fazer negócio sobre o valor contábil dos projetos, e não em seu valor líquido, muito mais alto.

Líder de produção

Em 2008, a Venezuela pretende comprovar que a região do rio Orinoco possui 270 bilhões de barris de petróleo para serem extraídos, se considerada a tecnologia atual. Esta certificação, que é realizada por companhias estatais de países aliados, somada às reservas provadas atuais, colocaria a Venezuela à frente do líder mundial em reservas, a Arábia Saudita.

No entanto, o petróleo da faixa do Orinoco é não convencional, muito pesado, com um alto conteúdo de enxofre e de difícil exploração e comercialização, que precisa de um complexo processo antes de ser refinado.

A Venezuela, único membro latino-americano da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), é o quinto exportador mundial de bruto. Sua produção atual é de 3,09 milhões de barris por dia, e metade dessa produção é exportada para os Estados Unidos.

A Faixa do Orinoco é a única fonte importante de substituição do declínio das reservas dos campos de petróleo tradicionais da Venezuela.