Vida a céu aberto

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Brasileiro é piloto de helicóptero no sul da Flórida

Tem brasileiro nas nuvens aqui no sul da Flórida. Um deles é o piloto profissional de helicópteros William Santos, que aos 33 anos de idade pode dizer que realizou dois de seus sonhos de criança: viver nos Estados Unidos e controlar estas máquinas, que atualmente podem custar mais de meio milhão de dólares.

E tudo aconteceu muito rápido na vida deste brasiliense, que até o ano de 2000 pensava apenas no trabalho como gerente de uma concessionária de motocicletas no Planalto Central. “A crise na época acabou fechando algumas lojas da empresa e eu pedi férias para conhecer a América e participar de uma feira de motos. Não voltei nem para acertar as contas”, lembra William.

Sem falar uma palavra de inglês, ele admite que sofreu muito no início, passou por dificuldades, mas foi conquistando aos poucos o seu espaço. Primeiro trabalhou em um ‘car wash’, do qual mais tarde acabou se tornando sócio. Em seguida montou uma empresa de ‘faux finish’ (decoração), mas – apesar de ganhar um bom dinheiro – sentia necessidade de perseguir sua vocação.

Somente em 2007 ele tomou coragem de ingressar num curso de piloto e hoje já soma perto de mil horas de vôo, suficientes para transformá-lo em condutor de aeronaves por passeios aéreos nos condados de Miami-Dade, Broward e Palm Beach. A atividade ainda é uma espécie de hobbie na vida de William, mas não são poucos os vôos com turistas que querem conhecer uma das regiões mais bonitas do estado de um ângulo diferente.

Vários pacotes

“O pacote mais comum é o tour pelas praias do sul da Flórida, passando pelas mansões dos artistas nas ilhas de Miami e sobrevoando South Beach e Las Olas”, explica o brasiliense, ressaltando que o trajeto é cumprido normalmente a uma altura de mil metros e a 100 milhas por hora. Isso, ele destaca, se o viajante optar por um passeio sem emoção. “Com emoção podemos chegar a 160 milhas por hora e nos aproximarmos até a três metros do oceano”, conta.

Transporte é seguro

William garante que o helicóptero é o meio de transporte mais seguro que existe. Segundo ele, 82% dos acidentes acontecem devido a falhas humanas e, por isso, toda a atenção é pouca. “Mas tenho mais segurança dentro da cabine do que nas minhas próprias pernas”, disse o brasileiro, que já bateu com carro e caiu de bicicleta, mas nunca tomou sustos no ar. “Tenho uma filha e não posso bobear”, acrescentou William, referindo-se a Yasmin, de cinco anos.
Lá do alto, ele – que é fotógrafo – registra as paisagens, que estão disponíveis no site da empresa para a qual ele trabalha (www. helitoursfl.com), e ainda documenta eventos especiais, como competições de vela e até casamentos ao ar livre. William agora alimenta um outro sonho: ter sua própria companhia… mas sabe que isso pode levar algum tempo. “Sem problemas, estou feliz e fazendo o que gosto”, finaliza.