Vigília em frente ao escritório do ICE em New Mexico pede justiça pelo brasileiro Kesley Vial

Jovem de 23 anos morreu no dia 24 de agosto após meses preso sob custódia do ICE

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Ex-colega de cela do brasileiro leu uma carta e disse que "foi muito difícil"(foto: Twitter )

Dezenas de pessoas se reuniram em frente ao escritório do Immigration and Custom Enforcement (ICE), na cidade de Albuquerque, em New Mexico, para protestar contra a morte do brasileiro Kesley Vial, de 23 anos. A reunião foi convocada pela organização New Mexico Immigrant Law Center, Justice for Our Neighbors, no dia 1º de setembro.

Kesley foi encontrado desacordado em uma cela no Torrance County Detention Center no dia 17 de agosto. Ele foi hospitalizado mas morreu no dia 24, cerca de uma semana depois. Desde abril deste ano, o jovem estava preso por tentar entrar ilegalmente nos EUA através da fronteira com o México. 

Pessoas próximas ao brasileiro estiveram presentes e denunciaram o sofrimento ao qual ele foi submetido. Wesley, outro imigrante brasileiro que conheceu Kesley na prisão, leu uma carta afirmando que “tudo o que ele [Kersley] pediu foi que voltasse ao Brasil. Mas eles recusaram. Após falhar na entrevista com o ICE, Vial voltou chorando e desejando poder voltar ao Brasil. Ele chegou perto de embarcar no avião, mas os agentes do ICE o levaram de volta [à prisão]. Então ele começou a ficar ansioso e acabou tirando sua vida”, disse Wesley.

Dias após a morte ter sido comunicada pelo ICE, um relatório elaborado pela Agência de Inspeção Geral (Office of Inspector General), foi repercutido por veículos de imprensa denunciando as péssimas condições estruturais e sanitárias que o presídio em que Kesley foi mantido se encontra.

Desde 2004, mais de 200 pessoas morreram sob custódia do ICE. A agência de imigração, entretanto,  afirmou que as fatalidades envolvendo imigrantes presos são raros. “O ICE está firmemente comprometido com a saúde e o bem-estar de todos aqueles sob sua custódia”, informou o órgão.

Karla, uma das organizadoras da atividade, distribuiu velas para os presentes e declarou: “Não vamos deixar que suas mortes sejam em vão. Acendemos essas velas como um símbolo de nosso compromisso de continuar buscando justiça para os imigrantes em sofrimento em todo o nosso país”.