Viúva do acidente da Gol processa pilotos e empresas nos EUA

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Suelen Abreu Lleras, que perdeu o marido Mário André e o filho Daniel no acidente do vôo 1907 da Gol, entrou na Justiça norte-americana com uma ação contra a empresa proprietária do jato executivo que se chocou com o Boeing, contra os dois pilotos norte-americanos e contra a Honeywell International Inc., fabricante do transponder do Legacy, disse o advogado dela na quinta-feira.

É a segunda ação a ser impetrada na Justiça dos Estados Unidos sobre o acidente, que matou 154 pessoas em setembro, e a primeira contra os pilotos Joe Lepore e Jan Paladino.

“Estamos processando os dois como pessoas físicas”, disse Mike Eidson, um dos sócios do escritório Colson Hicks Eidson, que fica na Flórida.

A ação foi impetrada na terça-feira em nome de Lleras. O escritório de Eidson espera que cerca de outras 20 famílias de vítimas se juntem ao caso.

O acidente aconteceu no dia 29 de setembro, quando o Boeing 737-800 operado pela Gol chocou-se no ar com um jato Legacy fabricado pela Embraer e operado pela ExcelAire Service, uma empresa de vôos fretados com sede em Ronkonkoma, Nova York.

As investigações indicam que o Boeing caiu imediatamente após o choque. O Legacy conseguiu fazer um pouso de emergência em uma base aérea no sul do Pará.

Na segunda-feira, o escritório de advocacia Leiff, Cabraser, Heimann & Bernstein, que fica em San Francisco, entrou com uma ação semelhante no mesmo tribunal federal de Brooklyn, em Nova York. Naquele caso, estão representadas entre 15 e 20 famílias, disse Lexi Hazam, funcionário do escritório.

As famílias das vítimas disseram que os pilotos da ExcelAire estavam voando na altitude errada quando o choque ocorreu, ou que deixaram de tomar uma série de providências quando perceberam que tinham perdido comunicação com a torre.

As famílias também afirmaram que o transponder do jato da Legacy não funcionou direito. O transponder é um equipamento que acompanha a posição do avião em relação ao chão e a outras aeronaves, num sistema para evitar colisões.

Mas muitos especialistas acham que o excesso de carga de trabalho dos controladores de vôo ou buracos negros no sistema de radar possam ter contribuído para o acidente.

A Honeywell, cuja sede fica em Morris Township, Nova Jersey, disse esta semana que “não está a par de nenhuma evidência que indique que seu transponder no Legacy da Embraer não estava funcionando como o programado ou de que a Honeywell seja responsável pelo acidente”.

O advogado da ExcelAire afirmou que os pilotos da empresa, que estão sendo mantidos no Brasil, agiram segundo as instruções do controle de tráfego aéreo.