2014, esperança e otimismo

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Antonio Tozzi

Toda virada de ano é a mesma coisa. As pessoas começam a achar que o ano que se finda não foi tão bom como se esperava, mas o ano que está chegando deve vir cheio daquilo tudo que todos sonhamos: paz, prosperidade, amor e fraternidade.

Mas, infelizmente, depois de muitas viradas de ano, a ilusão vai ficando para trás. Apesar de manter a fé e o otimismo, algo que nunca podemos abandonar enquanto vivermos, a dura realidade é que não há um condão mágico que mude tudo à nossa volta com uma simples troca de calendário.

Continuamos casados com os mesmos cônjuges – apenas que mais velhos -, as dívidas não desaparecem de uma hora para outra, os bens materiais não se multiplicam como gostaríamos e as benesses imateriais somente dependem de nossas atitudes. Entre muitas coisas lidas recentemente na internet, uma me marcou bastante: “Se você acha que o Ano Novo vai mudar tua vida, esqueça; quem tem de mudar é você”!

Essa frase enseja perfeitamente tudo o que precisamos fazer. Promessas são válidas, desde que cumpridas. Um caso clássico é o da perda de peso. A maioria das pessoas estabelece como meta para o ano que se inicia perder peso, afinal apenas privilegiados como Gisele Bündchen podem comer de tudo e não engordar. Nós, os pobres mortais, pagamos um preço caro pelo pecado da gula. E as pessoas começam mesmo cheias de vontade para conter o peso, mas com o decorrer do tempo vão tornando-se menos comprometidas com dietas e exercícios e as consequências podem ser vistas diante do espelho ou na hora de vestir roupas que antes serviam e agora já não servem mais.

Outra promessa que normalmente vai sendo esquecida por muitos é a contenção de gastos. As pessoas juram que vão economizar e deixar de fazer gastos supérfluos, mas à medida que o ano vai passando a rigidez cede lugar à condescendência e o resultado acaba refletindo-se na conta bancária pequena ou às vezes no vermelho, tendo de pagar juros ou multas para o banco que nunca deixa de cobrar o que lhe é devido ou no estouro dos cartões de crédito.

Os fumantes, um grupo cada vez menor, também estabelecem como objetivo deixar de fumar. No entanto, a dependência do vício e a companhia de outros fumantes agem como fatores desestimulantes na luta para abandonar o tabaco. E não deveria ser assim. O cigarro é um agente efetivo para o câncer de pulmão, diminui a capacidade respiratória, deixa os lábios e os dentes impregnados com alcatrão, incomoda os não fumantes em ambientes fechados e, ainda por cima, contribui para piorar as finanças do viciado, uma vez que o dinheiro gasto com cigarros poderia ser melhor aproveitado se fosse destinado para outras coisas mais saudáveis.

Nos tempos atuais, outros vícios parecem tomar conta dos indivíduos. Há pessoas que não conseguem dar um passo ou comer um mero sanduíche sem postar isto na Internet ou no Twitter. Ora, este Big Brother em que se transformou o Facebook superou até mesmo as previsões de George Orwell porque os próprios usuários alimentam seu ego noticiando o cotidiano de suas vidas e o que estão fazendo sem se importar se os outros têm algum interesse neste tipo de informação. Como li outro dia no próprio Facebook – sim, faço parte da manada -, “o Facebook existe para saber os passeios que nossos amigos estão fazendo e para os quais não nos convidaram”.

As redes sociais são armadilhas para quem não sabe lidar com elas. Por isto, jovens têm sido punidos por seu uso indevido ao postarem fotos nuas ou colocarem no You Tube conteúdo pornográfico no qual são protagonistas ou, pior ainda, pondo pessoas próximas a eles sem sua autorização. Felizmente, este cyberbullying vem sendo combatido com veemência.

Pois é, leitores, imaginar que tudo isto mudará do dia para noite é ser ingênuo. Ninguém consegue conter o mal ou decifrar o comportamento humano. Pessoas que aparentemente levam uma vida regrada podem ter um alter ego. De uma hora para outra, passam a se comportar de maneira estranha e a sociedade passa a condená-las pelo comportamento.

Apesar do risco de ser colocada à margem da sociedade, muita gente em 2014 deve liberar seus desejos, por mais bizarrros que sejam, desde que não envolvam assassinatos, estupros e violência contra outros. Isto já vem ocorrendo. Antes, era difícil encontrar alguém que assumia ser homossexual, hoje em dia, pelo contrário, cada vez mais pessoas saem do armário e se assumem como gays ou lésbicas.

Os relacionamentos sexuais entre casais também precisam sem melhorados como forma de fortalecer a convivência entre maridos e esposas. Afinal, separar de alguém e buscar fora o que não encontrou em casa pode ser um fuga sem sentido, uma vez que o problema pode não estar no parceiro ou na parceira, mas, sim, na própria pessoa.

Por tudo isto precisamos sempre manter a fé e o otimismo, porque o desejo de mudar deve ser o motor que nos impulsionará em 2014, 2015, 2016…