52 milhões passam fome na AL; Brasil é elogiado pela ONU

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O representante da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação elogiou a política social de Lula e citou o Brasil como exemplo de que é possível reverter o quadro na região

A Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) informou que 52 milhões de pessoas estão subnutridas e 7% das crianças menores de 5 anos sofrem de desnutrição crônica na América Latina e no Caribe. Ao persistir este quadro, serão necessários 70 anos para que o problema seja erradicado, afirmou o representante regional da FAO, o brasileiro José Graziano da Silva, em entrevista à Associated Press.

Graziano é também assessor especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e um dos autores do Fome Zero. “Queremos dizer aos governos que é possível fazer, que necessitam fazer, porque, no ritmo atual, vamos condenar toda uma geração de crianças que terão comprometidos seu desenvolvimento intelectual e físico”, afirmou.

O representante da FAO elogiou a política social de Lula e citou o Brasil como exemplo de que é possível reverter o quadro na região. Segundo ele, em apenas três anos, o Brasil tirou 6 milhões de famílias (cerca de 20 milhões de pessoas) da pobreza extrema com programas especiais de segurança alimentar, que foram assessorados pela FAO e outras agências internacionais.

De acordo com dados da FAO, a região produz três vezes a quantidade de alimentos necessária para nutrir sua população e é a maior exportadora de alimentos do mundo. Mesmo assim, alguns países latino-americanos, como Guatemala e Honduras, viram aumentar a fome nos últimos anos.”A fome crônica na Guatemala alcança 23% das crianças, (situação) pior do que a do Haiti, onde (esta cifra) é de 18%”, afirmou Graziano.

Erradicação da fome
A FAO celebrará amanhã o Dia Mundial da Alimentação, ocasião na qual será apresentada a iniciativa “América Latina e Caribe sem fome em 2025”. Em 1996, a meta das Nações Unidas era reduzir à metade a quantidade de crianças subnutridas, a extrema pobreza e a fome até 2015. Posteriormente, os presidentes do Brasil e da Guatemala, Oscar Berger, propuseram a erradicação completa da fome até 2025, proposta ratificada por 29 países em abril deste ano.

Segundo Graziano, na região, Argentina, Costa Rica, Cuba, Chile, Equador e Uruguai “têm sua própria capacidade de se mobilizar para alcançar a meta”. Os que necessitam de esforços modestos – “se conseguirem manter o que já está em andamento” – são México, El Salvador, Jamaica, Trinidad e Tobago, Brasil, Peru, Guiana e Suriname.

Para o representante da FAO, os países que necessitam de esforços e investimentos maiores para vencer a subnutrição são Colômbia, Paraguai, Bolívia, Venezuela, Guatemala, Honduras, Nicarágua, panamá, República Dominicana e Haiti.