A aposta está na mesa

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Antonio Tozzi

Esta semana o presidente Barack Obama fez seu esperado discurso no Congresso dos EUA, no qual destacou suas prioridades durante seu segundo mandato.

Ele começou falando sobre a necessidade de conter gastos do governo e também de aumentar o imposto para a pequena parcela dos cidadãos mais ricos da nação, a turma que está no percentual de 1%, cuja renda anual supera $400 mil. Segundo ele, esta é uma maneira justa de distribuir riqueza, evitando os bolsões de pobreza e fortalecendo a classe média o grande motor que movimenta a economia americana.

Mais tarde, falando em nome do Partido Republicano, Marco Rubio, senador da Flórida e uma estrela em ascensão no partido, rebateu os argumentos de Obama, destacando que mais cobrança de impostos e participação do governo na economia apenas servem como entraves para o empreendedorismo dos empresários.

Por falar em Partido Republicano, o mandatário cobrou claramente um posicionamento definitivo de seus membros e também dos integrantes do Partido Democrata para que façam um projeto de lei contemplando uma reforma imigratória justa e abrangente para finalmente tirar das sombras cerca de 11 milhões de indocumentados que vivem no país e colaboram com a economia pagando impostos e tendo que trabalhar de maneira ilegal.

Obama confirmou também a retirada dos soldados americanos do Afeganistão, período em que os militares americanos treinarão as forças armadas e a polícia afegã para que tenham condições de assumir a segurança pública do conturbado país que foi o berço da rede Al Qaeda, autora de uma série de atentados em vários locais do mundo.

Evidentemente, a diminuição com os gastos militares poupará recursos importantes para o país, que ajudarão a treinar os jovens americanos, preparando-os melhor para o mercado de trabalho. O presidente citou o exemplo da Alemanha, onde os jovens do segundo grau fazem cursos profissionalizantes e deixam a escola com uma profissão para atuar no mercado de trabalho.

Mercado de trabalho, aliás, que vem recuperando-se lentamente. Mas o governo promete conceder incentivos fiscais a empresas que voltarem a abrir fábricas nos EUA, revertendo o processo de terceirização que colocou em cheque o mercado de trabalho no país. Algumas empresas já se comprometeram a fazer o caminho inverso, como a Apple, por exemplo.

Com mais empregos é possível ainda aumentar o valor do salário mínimo para $9 a hora, conforme deseja Obama. Segundo ele, isto dará mais condições às famílias de viver dignamente a acima da linha da pobreza. Novamente, os republicanos refutaram o pleito, argumentando que isto criaria mais ônus para os empresários e consequentemente aumentaria o desemprego no país.

O governante ressaltou a autossuficiência energética do país e convocou os empresários a investir cada vez mais nas chamadas energias limpas: eólica, solar, biomassa, etc., sem se descuidar da produção de petróleo.

Por fim, Obama bateu forte na urgência de a nação tomar medidas efetivas no combate à venda e ao uso indiscriminado de armas, muitas delas de grosso calibre. A fim de sensibilizar os legisladores e a opinião pública, parentes de vítimas de massacres recentes e de crimes cometidos por gangues estiveram no plenário aplaudindo o governante que repetiu várias vezes a frase: Eles merecem seu voto, direcionada aos parlamentares.

Belas palavras, sem dúvida. O que resta, no entanto, é saber como se comportarão os atores políticos, acostumados ao nem sempre claro toma lá dá cá que poucas vezes visa o bem-estar dos cidadãos e mesmo de seus eleitores.

Do outro lado, os republicanos deram mostras de que a missão de Obama não será fácil. Marco Rubio, jovem senador da Flórida e apontado como futuro presidenciável, foi o escolhido para rebater o discurso proferido pelo atual chefe do Executivo dos Estados Unidos.
Apesar de ter chamado atenção por ter tomado um gole de água mineral em pleno discurso em rede nacional, Rubio foi bem avaliado pelos seus colegas de partido e, claro, ironizado pelos adversários políticos e analistas com tendências liberais.

Mas a verdade é que o Partido Republicano continua em busca de uma mensagem que volte a reconectá-lo com o eleitorado, algo que parece cada vez mais distante, caso não mude a postura e atualize sua visão retrógrada. Sem isto, nem mesmo a mudança da sistemática de contagem de votos do colégio eleitoral para voto direto dos eleitores, como querem muitos republicanos pode salvar o partido de novas derrotas.