A arte ajudando a solucionar crimes

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Brasileira é artista forense na Delegacia de Broward

Se você já assistiu a seriados do tipo CSI ou Forensic Files, certamente sabe da importância dos detalhes na solução de um crime. Na televisão, equipes de investigadores usam métodos científicos avançados para analisar as provas e, com isso, identificar assassinos, estupradores e bandidos em geral; na vida real, uma brasileira tem usado o seu talento para conseguir desvendar casos importantes no sul da Flórida. Trata-se de Catyana Sawyer, uma paulista da cidade de Registro (Vale do Ribeira), que vive há muitos anos nos Estados Unidos e é artista forense na Delegacia de Broward (Broward Sheriff’s Office – BSO). Como parte das suas atribuições na função, ela está encarregada, por exemplo, de produzir os retratos-falados que dão forma e imagem às descrições fornecidas pelas vítimas dos criminosos, e com isso tem ajudado a localizar e prender os chamados ‘bad guys’.

Vale dizer que, realmente, as produções de Hollywood exageram no glamour quando o assunto é coleta de provas em casos policiais, mas não há como negar que a atividade destes profissionais é, de fato, muito interessante. “Apesar de lidar com um universo tenso, que envolve vítimas e mortes, gosto muito do que faço e sinto orgulho ao reunir elementos que podem esclarecer detalhes dos crimes”, afirma Catyana, filha de um americano com uma brasileira. Como passou apenas parte da infância no Brasil, ela fala um português carregado de sotaque, mas guarda com carinho as lembranças do longo período de férias na casa da avó, no interior de São Paulo.

Lá é que Catyana começou a demonstrar jeito para as artes: “Meus familiares contam que eu sempe adorei desenhar rostos de pessoas”, ressalta. Sobrinha de um policial federal no Brasil, a jovem obteve seu mestrado em Ciência Forense na George Washington University, depois da graduação em Antropologia. A carreira deu um salto com um curso no FBI, em 2005, e Catyana está na Flórida desde maio do ano passado, trabalhando no laboratório do CSI (Crime Scene Investigation) de Fort Lauderdale.

Ela lembra de uma ocorrência recente, quando fez o retrato-falado de um suspeito de ataque a uma jovem. Ao ver o desenho, a vítima chorou, tamanha era a semelhança entre o traço feito à mão pela artista e as feições reais do criminoso – que foi capturado pouco tempo depois, diga-se de passagem. “Costumo gastar de uma a três horas em cada trabalho, mas isso depende do estado emocional das testemunhas, que normalmente estão muito abaladas”, enfatiza Catyana, que é casada e mora em Plantation.

Outra de suas funções é trabalhar com legistas para criar imagens de rostos a partir de restos mortais para auxiliar na identificação de corpos. Há, somente no Condado de Broward, cerca de 100 cadáveres à espera de reconhecimento por parte de parentes ou amigos e a habilidade de Catyana está ajudando a reduzir este número. No site do BSO (www.sheriff.org), no link ‘Found & Forgotten’, o leitor poderá acompanhar um pouco mais sobre esta parte do trabalho da brasileira.