A História das Drogas na América (Parte III)

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Eduardo Garcia

No dia 13 de maio de 1979 o turfe sofreu um grande golpe quando um noticiário colocou no ar uma reportagem assustadora sobre o consumo de drogas nos Estados Unidos, mostrando acidentes nas pistas de diversos hipódromos. A matéria foi considerada sensacionalista pelos organizadores das corridas mas causou um forte impacto em quem assistiu.

Os defensores das corridas retrucaram afirmando que as estatísticas do noticiário eram falsas. A matéria afirmava que os americanos acreditavam que 80% dos cavalos de corrida neste país só puderam correr com o benefício de drogas fortes. No entanto, esqueceu de informar que em 1978 havia 135.000 corridas de cavalos nos Estados Unidos, envolvendo mais de 1,2 milhões de entradas nas pistas. E as estatísticas do NASCRC mostravam que havia apenas 303 casos de violações de medicamentos, cuja média foi uma para cada 3.960 entradas.

Um grande avanço na prevenção das drogas veio em julho de 1979, quando Finger Lakes Racetrack em Nova York apresentou um teste para ser feito antes da corrida. Às 7h30 da manhã um veterinário nomeado pelo Estado entrou acompanhado por um identificador para extrair amostras de sangue de cavalos que corriam naquele dia. Apenas 10 dias após a sua utilização inicial, o primeiro cavalo, um castrado de 5 anos de idade chamado Refican, foi detectado com uma substância estranha no sangue e foi retirado da prova pelos Comissários Desportivos.

Apesar de a década haver sido tumultuada por causa do problema de Dancer’s Image amplamente divulgado pelo noticiário, o problema da América era amenizar o impacto em relação ao passado.

Antes do advento dos testes de saliva na década de 1930, os incidentes com drogas passaram praticamente desapercebidos ou foram ignorados. Foi por causa dessa ignorância que poucos relatos de incidentes relacionados a medicamentos podem ser encontrados. Uma autoridade britânica afirmou que os americanos começaram a prática do doping e, eventualmente, levaram para o outro lado do Atlântico, onde muitos ingleses acabaram por adotar.

Os americanos, no entanto, alegam que as drogas realmente tiveram origem na Inglaterra e na França. Isso foi comprovado pelo professor JB Robertson, que afirmou na Sporting Chronicle que ambos os medicamentos sedativos e estimulantes foram dados a cavalos de corrida, antes, inclusive do tempo do rei James I. Ele também afirmou que em 1750, as folhas da planta da coca chegaram à Europa vindas do Peru e foram administradas a cavalos de corrida como um estimulante, juntamente com a cocaína, um dos seus alcalóides, e cafeína. Esta ocorrência foi antes da chegada dos americanos em 1895, embora tenha se tornado muito mais generalizada após essa data.

As drogas apareceram pela primeira vez na América depois desse momento e foram vendidas abertamente sob o eufemístico nome de Speed Sustaining Elixir, que pode ser traduzido como Elixir de Sustentação da Velocidade. O elixir foi amplamente anunciado em muitas revistas de turfe sob esse nome, e muitas vezes o vendedor tomava ele próprio o tratamento do cavalo. A única coisa que permaneceu em segredo, até mesmo para o vendedor, era a fórmula. Tudo que se sabia era que veio da água e que tinha provado ser eficaz na Inglaterra e França antes de ser importado para os Estados Unidos. O criador da fórmula supostamente era um químico francês que experimentou pela primeira vez em sua terra natal antes de passá-lo para os inglêses. Depois da chegada do elixir à América, houve inúmeros incidentes de cavalos enlouquecidos pela droga ou suas imitações, e logo se tornou conhecido como o mal do narcótico.

Com o correr do tempo o doping de cavalos ficou mais sofisticado e científico, e os responsáveis pelas corridas admitiram que coibi-lo seria tão difícil como acabar com o consumo do álcool pelo ser humano.
(continua na próxima semana)


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